É que eu, tal como largos milhares de pessoas, tenho o livro em casa. Li-o há já muitos anos (demasiado cedo?) e não o achei nada de genial, tal como era dito. Gostei e achei interessante, mas não muito entusiasmante. Portanto quando soube que vinha aí o filme não me preocupei muito em ir vê-lo. Não era uma prioridade. Ora, como afinal lá o fui ver ‘in extremis’ à meia noite e meia no Corte Inglês num Sábado qualquer, pude surpreender-me agradavelmente.
É um filme muito interessante e que agarra o espectador imediatamente, não só pela história, mas também pela técnica narrativa, pela maneira de filmar, pelo ambiente que cria. Não quero chegar ao cliché de dizer que quase se podia ‘cheirar’ o que se passava no ecrã (a história diz respeito, como se sabe, a um homem que nasce com um sentido olfactivo ultra desenvolvido), mas a verdade é que o filme quase consegue transmitir isso, e nós, enquanto espectadores aceitamos pacificamente estar a VER um filme sobre CHEIROS. É credível duma maneira quase genial nesse aspecto.
Aliás, penso que foi o Stanley Kubrick que disse que esta história era impossível de filmar, e uma série de outros realizadores rejeitaram o trabalho na mesma base. Porém o alemão Tom Twyker conseguiu. E, de facto, só quem faz um filme como o “Corre Lola, Corre” (um filme de hora e meia que conta repetidamente os mesmos minutos circularmente e que é um filme muito interessante), conseguiria fazer isto.
Os actores são, em geral desconhecidos, com excepção do Alan Rickman, o terrorista do "Assalto ao Arranha Céus", para dizer um de muitos filmes, e do Dustin Hoffman, que na minha opinião não está lá a fazer rigorosamente nada a não ser ‘emprestar’ o nome a uma produção europeia para lhe dar uma maior vertente comercial; é que não achei muito convincente vê-lo a fazer um papel de fabricante de perfumes italiano e afectado. Até a pronúncia não era muito boa. Mas, tirando este pormenor, pouco mais há a apontar de negativo.
Positivo mesmo é ainda a banda sonora. Algo circular e baseada sempre no mesmo leit motiv a que se regressa vezes sem conta, é essencial para criar o ambiente necessário e’puxar’ o espectador para dentro da história.
Em suma mais uma adaptação de um livro ao cinema que ‘corta’ algumas coisas do livro. Se bem que neste caso parece ter sido pelo melhor.




























Um pequeno grande reconheci- mento e homenagem que há muito estava para fazer, mas a falta de tempo e também o facto de outros já o terem feito muito bem, levou-me a relegar esta menção para mais tarde. Portanto, não queria deixar de assinalar aqui que finalmente, depois de muitos elogios que já tinha ouvido, ouvi este álbum do José Cid e pude comprovar que todos aqueles elogios eram completamente merecidos. Um álbum criminosamente 'descartado' quando saiu e negligentemente ignorado nos dias que correm. O que é uma pena, pois é um dos melhores álbuns de música feitos em Portugal. Era-o já em 1978 e continua a sê-lo. Quantos portugueses saberão que o gajo da 'cabana' e da 'neve em NY' e 'favas com chouriço' é responsável por um álbum considerado internacionalmente como um dos melhores álbuns de rock progressivo do Mundo? Enfim, para uma melhor compreensão nada melhor do que clicar 