
Ao contrário do "Magnolia" e do "Embriagado de Amor", o P.T. Anderson resolveu fazer um filme em moldes mais clássicos e lineares. E fê-lo com sucesso. O "Magnolia" nunca vi confesso, mas o "Embriagado de Amor", para mim, foi uma experiência aborrecida. Já este "Haverá Sangue" tem outras virtudes. Tem também alguns defeitos, embora eu não me sinta capaz de os identificar verbalmente.
A história é interessante e, de alguma forma, nova. Não me lembro de já ter visto um filme que remonta ao despontar da "febre negra" do petróleo nos EUA. E o ambiente que se viveu nessa altura está bem presente em todo o filme. Não sou especialista, mas gostei da maneira de filmar, da imagem e dos sons. O Daniel Day-Lewis está mais que perfeito para aquele papel. Um "tubarão do petróleo" que começou do nada, implacável, insensível e, por vezes mesmo rude, e que constrói um pequeno império para si. O típico selfmade man do american dream. O capitalista imparável e enérgico, sempre em busca de realizar um bom negócio.
Encontra a sua némesis na figura do jovem pregador desempenhado por Paul Dano (sim, o puto niilista do "Little Miss Sunshine"), também ele uma típica figura americana: um cristão fanático, um pregador histérico, atreito a exorcismos teatrais e a discursos irados e cheios de fúria divina.
Ambos são tão opostos na sua maneira de ser que acabam por se tornar parecidos. Ambos acabam por se revelar fanáticos, egoístas e mesquinhos, cada um à sua maneira. E isso foi o mais interessante do filme.
Mas houve qualquer coisa que não me fez ficar entusiasmado com o filme...não posso precisar o que foi...talvez seja algo previsível...talvez o facto de o papel do pregador mesquinho necessitasse de um actor com uma presença mais forte. O Paul Dano tem ar de puto, e parece que vai ser daqueles que terá sempre esse ar. De alguma forma não me pareceu muito crível vê-lo a desempenhar aquele papel. Parece que foi solução de último recurso, quando o actor originalmente contratado falhou, mas não foi a melhor solução.
Enfim, um filme bastante bom, que se vê muito bem, mas não direi que é um filme excelente.
Blá blá blá:
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