sexta-feira, novembro 18, 2005

Porque é que gosto de Heavy Metal III – O Outro Lado da Moeda

Na parte anterior discorri de forma algo alargada sobre o ‘preconceito’ que existe contra o heavy metal. No entanto não gostava que isso fosse tomado como uma afirmação categórica de defesa unilateral de um dos ‘lados’ envolvidos. O que é certo é que do lado do heavy metal também há bastantes preconceitos em relação a outros estilos musicais, e mesmo dentro do próprio metal nos seus vários subgéneros. A razão deste preconceito poderá, se calhar, ser encontrada na existência do outro preconceito para com o metal.

O heavy metal sempre foi de tal forma acossado e ‘perseguido’ que provavelmente os seus fãs sentiram a necessidade de se fecharem sobre si mesmos, sobrevivendo unidos no underground, ‘em luta contra todos’. Talvez daí tenha surgido esse preconceito ou ‘resistência’, ou mesmo ‘desvalorização’ de outros estilos musicais. Talvez sim, talvez não. Debater sobre se um preconceito gerou outro preconceito em resposta, é o mesmo que debater se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro.
O que é certo é que de facto o heavy metal possui em si alguns preconceitos contra a pop, o rap, ou outras coisas menos....bem...menos ‘metal’.

Da minha permanência quase diária no fórum dos Iron Maiden, tenho reparado que alguns integrantes não mostram grande abertura de espírito ou capacidade de retirarem tudo o que de bom houver do que se ouve em geral por aí. Surpreende-me que algumas pessoas ponham de parte determinado cantor, banda, canção ou estilo apenas e só porque não corresponde totalmente aos seus requisitos, ou melhor, surpreende-me sim que o fã de heavy metal GENERALIZE de tal forma que não dê efectivamente hipótese de descobrir que, sim, há outras coisas que não são heavy metal, e que, pasme-se, também são boas e interessantes.

O facto de o metal e o seu fã terem sido desde sempre ‘olhados de lado’, terá, mais uma vez proporcionado alguma arrogância daqueles e que eles passassem a ‘olhar de cima’ para o resto.
Afinal de contas, desvalorizar todo um género musical através de generalizações básicas é um problema comum a todos. É uma característica humana se calhar.

Felizmente, tal como o preconceito contra o heavy metal parece estar a desvanecer-se lenta e gradualmente, também o preconceito oposto já não é tão arreigado por parte do Metal. O fã de metal é cada vez mais o fã de Música, venha ela sob que formato, ou etiqueta, vier. A admissão de ‘outras’ influências, externas e aparentemente contraditórias está agora mais difundida, o que só pode ser saudável.

De facto, é assim que eu entendo o heavy metal em geral, e é assim que eu entendo o fã de metal em geral, o bom fã de metal. Aquele que sabe manter os horizontes abertos, aquele que sabe ouvir ou dar uma hipótese a tudo e, se assim for caso disso, apreciar as qualidades inerentes ao que está a ouvir, e saber retirar daí o melhor que está ao seu dispor.

Talvez seja por isso que é cada vez menos raro encontrar pessoas que gostam e ouvem heavy metal, mas também ouvem outras coisas sem problemas. O inverso já não é tão frequente, mas também não é para admirar, uma vez que é mais fácil partir do Metal para outras coisas do que ser fã de pop e interessar-se continuamente por metal.

Daí o interesse que se pode encontrar cada vez mais no mundo do heavy metal: um núcleo fechado em si e com os seus, mas sempre virado para fora e para o que se passa por aí. Liberdade acima de tudo. Nenhuma cedência a modas ‘apenas porque sim’. Antes pelo contrário, liberdade para apreender o que se tiver na vontade.

O verdadeiro fã de metal é, antes de mais, fã de música. Pelo menos é assim que eu gosto de ver as coisas.

2 comentários:

Anónimo disse...

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

Ninguém comenta este post!!

Bola Oito disse...

Há os que são realmente assim. MAS tb há os que não são e que 'valem a pena conhecer'....enfim...um assunto interminável.;)