sexta-feira, novembro 04, 2005

Não é um 'Álbum da Semana'...mas podia ser.

Este álbum é, para mim, uma das melhores estreias em disco de longa duração que qualquer banda pode conseguir. Aliás, pergunto-me se não será mesmo O melhor álbum de estreia que há.
Logo de início estabeleceu um altíssimo nível de qualidade, revelando uma banda competentíssima, genial mesmo, que sabia bem o que estava a fazer e o que queria fazer.
É uma estreia que, pelo menos para mim, ainda hoje carrega uma marca de frescura, energia e poder fantásticos. Obviamente que ajuda o facto de quando finalmente os Maiden conseguiram o contrato para gravar este álbum, já andavam a tocar estas canções ao vivo há bastante tempo, construindo lenta mas solidamente a lenda em que se tornaram
.


Este álbum leva os Iron Maiden para o lugar cimeiro da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) estabelecendo uma série de parâmetros que eles iriam aperfeiçoar no futuro e que muitas bandas depois iriam tentar copiar e adaptar. Os Maiden tornaram-se assim quase como que uma “bíblia” do heavy metal. E ainda hoje assim é. Basta vermos o que se passou com a NWOSMDM (New Wave of Swedish Melodic Death Metal – olá In Flames!). Uma banda que ainda hoje é considerada uma referência no mundo do metal.

A produção, como sabemos, não é das melhores. Rezam as crónicas que havia um produtor chamado Will Malone, mas que foi praticamente a própria banda que o produziu. Tecnicamente a produção é bastante inferior à de muitos lançamentos da mesma época (ver "British Steel" dos Judas Priest), mas a verdade é que essa mesma “má produção” acabou por ser um dos elementos importantes para o sucesso do álbum, pois dá uma certa crueza e agressividade às canções que lhes fica muito bem. É uma produção que assenta bem à própria natureza das canções. Muito adequada a uma banda de rapazes 'working class', oriundos do East End de Londres, habituados a terem de batalhar arduamente para prosseguirem os seus objectivos.



A própria voz que na altura estava encarregada de cantá-las era reveladora desses mesmos sentimentos. O Paul Di'Anno conferiu às canções a crueza e agressividade melódica necessárias a fazer passar a mensagem. De facto, mesmo tendo apenas cantado nos dois primeiros álbuns, a prestação que teve neles tornou-se clássica no heavy metal. O Bruce Dickinson que o veio substituir para o terceiro álbum (o começo do sucesso global) canta as canções dessa fase extraordinariamente bem, com não podia deixar de ser, MAS não se pode dizer que o faça melhor que o Paul, ou sequer que faça esquecer a prestação dele.

E, claro, temos a enorme qualidade dos músicos que tocam com uma energia e uma quase raiva (e também introspecção e nalgumas canções). Tanto essa raiva como essa introspecção dão a ideia que o álbum veio bem de dentro deles...algo que tinham mesmo que por cá fora. Daí o aspecto cru e puro que lhe dá uma autenticidade invejável. Promissor do que se avizinhava.

Em suma, um álbum clássico do heavy metal como estilo genérico e que qualquer fã de metal deve obrigatoriamente possuir. E porquê? Por causa do que a seguir se menciona:

Começa logo com uma canção memorável e que mostra logo quem é a banda e o que fazem! "Prowler"!Rápida, agressiva e directa mas também muito melódica. Já tinha sido gravada na Soundhouse Tapes, mas esta versão é superior. Mais rápida e ritmada. O solo é excelente. Grande canção de abertura de concerto.
De seguida temos a "Sanctuary". Não aparecia originalmente no álbum, mas foi incluída na re-edição de 98. Originalmente surgiu na compilação Metal For Muthas. É uma das favoritas ao vivo pois proporciona uma grande interacção com o público. Mais uma vez é rápida e directa, quase cantada de um fôlego, Apropriada para uma canção sobre um assassino em fuga. "Remember Tomorrow" é a que se segue. É um dos raros momentos calmos de Maiden. Curiosamente a maioria deles concentra-se neste álbum. No entanto não lhe retira força e energia nenhuma! A canção é muito introspectiva e consta que é sobre o avô do Paul, piloto da RAF durante a II Guerra Mundial. “Unchain the colours before my eyes/Yesterday’s sorrows tomorrow’s white lies/Scan the horizon the clouds take me higher/I shall return from out of the fire”…Se bem me lembro o avô foi abatido na guerra.
A seguir vem a "Running Free"....e que se pode dizer desta?? É fantástica também, vibrante de energia e rebeldia! Típicamente Di’Anno em toda a sua rebeldia. É muito mas muito melhor quando tocada ao vivo. É uma canção simples e algo repetitiva...mas isso não faz dela uma má canção!
"Phantom Of The Opera" é a que se segue. É a melhor. Ponto final. Não há discussão. Tem TUDO o que faz de Maiden a melhor banda de sempre (curiosamente o próprio Bruce disse isto na última digressão). Baseada na personagem criada por Gaston Leroux, é um autêntico monumento à música. O melhor indício do que vinha por aí!!! Grandes ritmos e solos, mudanças de tempo de tirar a respiração...enfim, é muito difícil descrever por palavras tudo o que se passa nesta complexa canção.
"Transylvania" é o instrumental. É muito bom, mas prefiro o Gengis Khan do Killers. Mas este fica pouco atrás!
"Strange World" é a outra slow song . É sem dúvida uma boa canção. Não a minha preferida no entanto. Acho que é demasiado “hippie” se é que me percebem...as letras...o ambiente....quase psicadélico ou hipnotizante. Mas é boa. E as letras são excelentes. São algo intrigantes...parecem referir-se à vintade de combater a velocidade deste 'mundo estranho' em que vivemos, um mundo onde temos de avançar constantemente e onde seria, por vezes, preferível "never grow old".
Voltamos a acelerar com o "Charlotte The Harlot", composta pelo Dave Murray. É o primeiro “episódio” da saga da meretriz do mesmo nome. É de todas aquela que me parece ser mais datada. No entanto tem um ritmo fabuloso e solos do Dave e depois do Dennis Stratton muito bons.
Acabamos com o q vocês sabem: "Iron Maiden". Mais uma que é bem melhor ao vivo....aliás, sente-se melhor, tem mais sentido ao vivo. É uma verdadeira celebração. Depois de levarmos com a maior parte do setlist, o Iron Maiden, apesar de ser sinal do fim, soa muito bem. É divertida. Caso não tenham reparado, é das poucas que não tem solo de guitarra. Não é, a meu ver, uma das melhores canções....mas continua a ser um espectáculo ao vivo.

E tantos anos depois estas canções são consideradas clássicos e muitas delas ainda são consideradas 'obrigatórias' em qualquer concerto.

Este não é o álbum da semana, como disse. O texto que aqui está foi escrito por mim e já existe há uns tempos no site http://tugasmaidenfans.com.sapo.pt/ . Achei que podia aproveitá-lo, revê-lo e aumentá-lo aqui para o bolaa oito. A programação normal do 'Álbum da Semana' seguirá dentro em breve.

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