sexta-feira, outubro 21, 2005

Rock Star

O outro dia, ou melhor, noite, cheguei a casa e estava a dar este filme. “Rock Star”, de 2001. Sempre tive alguma curiosidade em vê-lo uma vez que se dizia que era ‘livremente’ baseado na história verídica de como o Tim ‘Ripper’ Owens saiu do anonimato do Metal para substituir a ‘lenda viva’ que é o Rob Halford nos Judas Priest. O Rob saiu dos Priest em princípios dos anos 90, tendo desde então prosseguido a sua carreira a solo nos Fight e nos Two, que não tiveram grande sucesso. Ah, e aproveitou tb para se assumir como gay.
Entretanto, alguns anos depois, em 1997, a banda recrutou o Tim Owens para vocalista, tarefa que ele desempenhou muitíssimo bem por dois álbuns de estúdio: “Jugulator” e “Demolition”. Ao que parece este último foi um fracasso (e o primeiro apesar de muito bom não foi muito bem recebido), e como tal ‘teve’ de se ir embora para dar lugar ao regressado Rob Halford que entretanto já tinha voltado ao Heavy Metal com os dois últimos e excelentes álbuns a solo, em nome próprio.
O Tim Owens era um empregado de escritório, americano, que cantava numa banda de tributo aos Priest chamada British Steel. Uma noite a namorada do baterista de Priest, Scott Travis, assistiu ao show
e gravou-o por ter ficado tão impressionada com o Owens. A banda viu e gostou marcando uma audição com ele. Bastou-lhe, ao que parece, cantar um verso duma canção para conseguir logo o lugar. Gravou dois álbuns de estúdio e dois ao vivo, tendo inclusivamente a primeira tour passado por Portugal.
O filme em causa retrata esta história. Mas algo livremente como disse. Talvez tenha sido por isso que os Judas Priest estavam inicialmente envolvidos na rodagem, mas acabaram por se desvincular.
O filme. Devo dizer que gostei de ver o filme. Apesar de reconhecer que não é muito bom. Infelizmente é uma sucessão quase interminável de
‘clichés’ do metal/rock and roll life style.
Em poucas palavras temos a romaria habitual do ‘Zé Ninguém’ que chega ao sucesso rapidamente, fica encantado e deslumbrado, cai na rotina ‘sex, drugs and rock ‘n’ roll’, acaba por ser demais e desiste, regressando á sua vida anterior.
O filme retrata uma banda-fictícia-com muito sucesso chamada ‘Steel Dragon’ cujo vocalista, Bobby Beers abandona a banda por não suportar os colegas e a música. Coincidência ou não ele não só é gay como usa uma peruca (para dar o estilo metal provavelmente), e mais tarde é mostrado na sua nova carreira: bailarino de danças folk (lol).

Enter: Chris Cole, empregado de escritório, com uma vida aborrecida salvo quando está a cantar nos Blood Pollution uma banda de tributo aos Steel Dragon onde todos os elementos copiam TUDO na exactidão o que a banda homenageada faz. O Chris Cole vive praticamente tudo o que o Bobby Beers faz e diz. E exige que a banda toque tudo precisamente igual. Ora os seus colegas querem evoluir e serem eles próprios e tornarem-se numa banda ‘a sério’. O Chris não quer e é expulso. É neste entretanto que os Steel Dragon vêem um video dele a cantar, chamam-no e o gajo, completamente nervoso, consegue o sonho da vida dele.
Mas este sonho custa-lhe caro. A namorada, que o costumava acompanhar para todo o lado, não consegue suportar a vida na estrada, sendo tratada por todos como ‘mais uma gaja loira que um elemento da banda anda a comer’. Portanto volta para casa destroçada, ouvindo as juras de amor do seu namorado.
A digressão continua e o Chris vai-se afundando cada vez mais, perdendo a sua personalidade pouco a pouco. Deixa mesmo de se chamar Chris. Todos o conhecem por Izzy e ele quer que todos o chamem assim. O sucesso dele é estrondoso e as digressões são intermináveis, bem como toda a decadência e coisas afins que estes filmes costumam mostrar.
Finalmente a digressão passa por Seattle, terra dele e da namorada. Ela vai ter com ele e não só passa pela humilhação de ter de esperar numa fila de ‘groupies’ histéricas e algumas prostitutas que estavam à ‘espera de vez? Para estar com os gajos da banda, como ainda por cima o namorado aparece-lhe pedrado. Não só se tinha esquecido do encontro como nem sequer sabia em que cidade estava. É o fundo do poço. Ela, muito chorosa, desiste e abandona-o.
É aí que ele começa a cair em si. O facto de tb querer começar a compor e a ser parte activa da banda com as suas composições e ideias, sendo impedido pelos outros (pois ele era um ‘mero contratado’ e que não é insubstituível), tb contribui para isso. Justiça poética: fazem-lhe a ele o que ele fez aos colegas e amigos da sua banda. É aí que ele vê como tem andado errado.
Durante um espectáculo ele vê na primeira fila um jovem vestido como ele, a cantar as letras todas. Põe-lhe o micro á frente e vê que ele canta bem. Irreflectidamente ou não, puxa o rapaz para o palco, cantam os dois o resto da canção e vão para os bastidores. Aí ele OFERECE-LHE o seu lugar. E o concerto continua, com outro vocalista......mais um fã com um sonho tornado realidade.
Ele desaparece e vêmo-lo tempos depois a cantar num pequeno clube com uma pequena banda as suas canções, exactamente como a namorada o aconselhava a fazer.É então que a namorada o encontra, depois de ver um flyer a anunciar um concerto dele, e tudo acaba bem.

Moral: cuidado com o que desejas........

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