O outro dia, ou melhor, noite, cheguei a casa e estava a dar este filme. “Rock Star”, de 2001. Sempre tive alguma curiosidade em vê-lo uma vez que se dizia que era ‘livremente’ baseado na história verídica de como o Tim ‘Ripper’ Owens saiu do anonimato do Metal para substituir a ‘lenda viva’ que é o Rob Halford nos Judas Priest. O Rob saiu dos Priest em princípios dos anos 90, tendo desde então prosseguido a sua carreira a solo nos Fight e nos Two, que não tiveram grande sucesso. Ah, e aproveitou tb para se assumir como gay.Entretanto, alguns anos depois, em 1997, a banda recrutou o Tim Owens para vocalista, tarefa que ele desempenhou muitíssimo bem por dois álbuns de estúdio: “Jugulator” e “Demolition”. Ao que parece este último foi um fracasso (e o primeiro apesar de muito bom não foi muito bem recebido), e como tal ‘teve’ de se ir embora para dar lugar ao regressado Rob Halford que entretanto já tinha voltado ao Heavy Metal com os dois últimos e excelentes álbuns a solo, em nome próprio.
O Tim Owens era um empregado de escritório, americano, que cantava numa banda de tributo aos Priest chamada British Steel. Uma noite a namorada do baterista de Priest, Scott Travis, assistiu ao show
e gravou-o por ter ficado tão impressionada com o Owens. A banda viu e gostou marcando uma audição com ele. Bastou-lhe, ao que parece, cantar um verso duma canção para conseguir logo o lugar. Gravou dois álbuns de estúdio e dois ao vivo, tendo inclusivamente a primeira tour passado por Portugal.O filme em causa retrata esta história. Mas algo livremente como disse. Talvez tenha sido por isso que os Judas Priest estavam inicialmente envolvidos na rodagem, mas acabaram por se desvincular.
O filme. Devo dizer que gostei de ver o filme. Apesar de reconhecer que não é muito bom. Infelizmente é uma sucessão quase interminável de ‘clichés’ do metal/rock and roll life style.
Em poucas palavras temos a romaria habitual do ‘Zé Ninguém’ que chega ao sucesso rapidamente, fica encantado e deslumbrado, cai na rotina ‘sex, drugs and rock ‘n’ roll’, acaba por ser demais e desiste, regressando á sua vida anterior.
O filme retrata uma banda-fictícia-com muito sucesso chamada ‘Steel Dragon’ cujo vocalista, Bobby Beers abandona a banda por não suportar os colegas e a música. Coincidência ou não ele não só é gay como usa uma peruca (para dar o estilo metal provavelmente), e mais tarde é mostrado na sua nova carreira: bailarino de danças folk (lol).

Enter: Chris Cole, empregado de escritório, com uma vida aborrecida salvo quando está a cantar nos Blood Pollution uma banda de tributo aos Steel Dragon onde todos os elementos copiam TUDO na exactidão o que a banda homenageada faz. O Chris Cole vive praticamente tudo o que o Bobby Beers faz e diz. E exige que a banda toque tudo precisamente igual. Ora os seus colegas querem evoluir e serem eles próprios e tornarem-se numa banda ‘a sério’. O Chris não quer e é expulso. É neste entretanto que os Steel Dragon vêem um video dele a cantar, chamam-no e o gajo, completamente nervoso, consegue o sonho da vida dele.
Mas este sonho custa-lhe caro. A namorada, que o costumava acompanhar para todo o lado, não consegue suportar a vida na estrada, sendo tratada por todos como ‘mais uma gaja loira que um elemento da banda anda a comer’. Portanto volta para casa destroçada, ouvindo as juras de amor do seu namorado.
A digressão continua e o Chris vai-se afundando cada vez mais, perdendo a sua personalidade pouco a pouco. Deixa mesmo de se chamar Chris. Todos o conhecem por Izzy e ele quer que todos o chamem assim. O sucesso dele é estrondoso e as digressões são intermináveis, bem como toda a decadência e coisas afins que estes filmes costumam mostrar.
Finalmente a digressão passa por Seattle, terra dele e da namorada. Ela vai ter com ele e não só passa pela humilhação de ter de esperar numa fila de ‘groupies’ histéricas e algumas prostitutas que estavam à ‘espera de vez? Para estar com os gajos da banda, como ainda por cima o namorado aparece-lhe pedrado. Não só se tinha esquecido do encontro como nem sequer sabia em que cidade estava. É o fundo do poço. Ela, muito chorosa, desiste e abandona-o.
É aí que ele começa a cair em si. O facto de tb querer começar a compor e a ser parte activa da banda com as suas composições e ideias, sendo impedido pelos outros (pois ele era um ‘mero contratado’ e que não é insubstituível), tb contribui para isso. Justiça poética: fazem-lhe a ele o que ele fez aos colegas e amigos da sua banda. É aí que ele vê como tem andado errado.Durante um espectáculo ele vê na primeira fila um jovem vestido como ele, a cantar as letras todas. Põe-lhe o micro á frente e vê que ele canta bem. Irreflectidamente ou não, puxa o rapaz para o palco, cantam os dois o resto da canção e vão para os bastidores. Aí ele OFERECE-LHE o seu lugar. E o concerto continua, com outro vocalista......mais um fã com um sonho tornado realidade.
Ele desaparece e vêmo-lo tempos depois a cantar num pequeno clube com uma pequena banda as suas canções, exactamente como a namorada o aconselhava a fazer.É então que a namorada o encontra, depois de ver um flyer a anunciar um concerto dele, e tudo acaba bem.
Moral: cuidado com o que desejas........

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