Fomos ontem visitar o recém reaberto Museu Rafael Bordalo Pinheiro ali no Campo Grande. Fica um pouco mais à frente da Universidade Lusófona. Sofreu inúmeras obras e foi finalmente reaberto ao público no dia 5 de Outubro. A entrada era à borla até dia 15 de Outubro. Portanto não se perdia nada em fazer uma visita ao novo espaço.Eu já lá tinha ido há muito tempo quando ainda era miúdo. Não sei porquê essa ida sempre me ficou na memória. Lembro-me perfeitamente da tarde que passei a ver um desfilar interminável de caricaturas e afins.
O edifício em si também vale a pena ser visto, tanto por fora como por dentro. Foi, segundo me constou, construído especificamente para o fim que tem.
Agora foi renovado e para além da moderna loja de merchandising (acreditem que vi lá umas t-shirts do mais original que há. Mesmo muito fixes e irónicas....), possui um espaço para exposições temporárias. É um espaço muito interessante, embora pudesse ter havido mais cuidado com alguns pormenores, nomeadamente as escadas de acesso ao segundo andar que são, aparentemente, feitas de contraplacado branco, e, apenas com 10 dias de serviço, já estão num lindo estado. No entanto o espaço é mesmo interessante e a exposição que lá está também o é. Vale a pena ter este sítio debaixo de olho e aguardar futuros desenvolvimentos.

Quanto ao museu propriamente dito, continua instalado nos dois andares do costume, por várias salas. Mas (talvez seja só impressão) pareceu-me que as obras em exposição eram bem menos do que as que vi há anos. Se assim for acho que é uma boa política, pois evita-se um grande cansaço. Assim temos a possibilidade de apreciar várias caricaturas e desenhos do Bordalo Pinheiro, alguns bem conhecidos de todos nós.
O que eu acho mais interessante é que, se por um lado há quem possa apelidar a arte do Bordalo como um tanto ou quanto 'boçal', por outro penso que não podemos negar alguma inteligência e fino humor no meio dessa 'boçalidade'. Não se pode deixar de sentir algum orgulho ao ver o 'John Bull' inglês (equivalente ao Tio Sam americano) ser ridicularizado na forma de penico ou escarrador, na sequência do Ultimato Inglês de 1890.
Ah! Claro...há por lá "n" figuras do Zé Povinho, desenhado ou esculpido, é a obra principal do Bordalo. O Zé Povinho é a expressão do povinho português, sempre pisado, sempre tramado e enganado pelos outros, mas sempre conservando a sua boa disposição, resignação e estoicidade. A expressão do Zé parece quase sempre dizer: "Pois é...é a vida. Que é que se há-de fazer? É aguentar...". A não ser quando tem a famosa expressão do "Ora tomem lá!!!" .Há quem diga se calhar que a obra do Bordalo, neste aspecto, é pessimista e derrotista, por mostrar um português típico quase sempre engando, acomodado e sofredor. Mas penso que não é tanto assim. Bordalo parecia reconhecer algumas qualidades no Zé. Tanto assim que disse qualquer coisa como: "Um dia o Zé vai deixar de se chamar Zé Povinho para passar apenas a chamar-se Povo". Mensagem mais optimista que esta não é possível! ; )
O problema é que parece que o Zé ainda não chegou lá.....

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