quinta-feira, abril 02, 2009

Gran Torino

O Clint Eastwood é um actor/realizador que merece todas as homenagens possíveis, em vida e depois dela. É aquele tipo de realizador que, daqui a muitos anos, poderemos citar e chatear o juízo aos filhos, netos, jovens inconscientes em geral, da mesma maneira que os mais velhos se cansaram (e nos cansaram) a repetir que o John Ford é que era, o Frank Capra, o Otto Preminger, etc etc. Com o Clint Eastwood será a nossa vez! É, certamente, o último dos 'clássicos' no cinema americano. Quando desaparecer não será pequena a perda. Mas sempre se poderá referir a honra e o prazer em ter sido contemporâneo do homem, e ter assistido à sua ascenção, lenta talvez, mas certa, segura e cheia de qualidade.
E "Gran Torino" é apenas mais uma jóia na sua já valiosíssima coroa. É um grande filme, muito bom, daqueles que já pouco se vão vendo. Um clássico à nascença por completo.
O fim de uma era também, uma vez que o próprio Eastwood já disse que era a última vez que actuaria num filme. Dele pelo menos.
E que bela maneira de terminar a sua carreira na representação. O seu Walt Kowalski é a personagem mais dura, mais sacana e filha da mãe que já fez. Mas não, não tem nada a ver com o Dirty Harry ou outros papéis menos complexos. Aqui reside a excelência do filme, a excelência que o trailer, felizmente, não mostra. O que é um feito nesta era em que os trailers basicamente resumem os filmes quase de uma assentada só. Kowalski é muito, mas muito mais do que aquilo que se depreende ao ver o trailer. Surpreendentemente mais. Aliás, nunca suporia que um filme carregado à partida com uma temática tão 'negra', pudesse arrancar tantas gargalhadas honestas da audiência. Isto porque o filme traz também uma dose certa de humor, pelo próprio Eastwood, pasme-se.
A cena em que Kowalski tenta ensinar o jovem Thao a falar como um homem ("let's man you up") é altamente cómica. Mas não se trata de uma comédia. Nem de um filme de acção, nem um filme político ou social. Há elementos disso tudo, mas o filme é tão somente a história de um homem fechado, da sua redenção e contínua aprendizagem, apesar da sua vetusta idade. Os grunhidos guturais que Kowalski reptidas vezes deixa escapar são tão simples, mas tão reais, tão próprios de um homem intolerante e sem grande paciência. Um filme real. Brilhante.
Não ligo muito a isso..mas: Óscar!






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2 comentários:

Anna disse...

Concordo 100%. Boa review!

Dreamaster disse...

Fui ver ontem o filme e adorei. Este homem é como o vinho, cada vez melhor actor e realizador. Aliás gosto da maioria dos filmes do Clint, mesmo aqueles q pouca gente conhece.


Abraços
D.