Bom, bom, bom. Possuo em casa, hoje, mais cravos do que alguma vez tive em toda a minha vida. Isto diz muito das alucinantes comemorações do 25 do 4 deste ano.A noite começou, ainda de dia, no Largo do Carmo onde alguém se lembrou de fazer um arraial cheio de bric-a-bracs, coisas e loisas e barraquinhas de tudo e mais alguma coisa. Música variada e declamação de poesia também faziam parte do cardápio. Acabámos por deglutir um doce de coco de Moçambique (muito bom) e uma poncha da mesma proveniência que tinha assim um sabor e uma textura algo...estranha, vá lá.
Uma nova visita ao Quartel do Carmo serviu para refrescar as memórias do ano passado. Embora agora a visita seja mais curta, parece-me que qualquer dia a GNR sai dali de vez....cheira-me que sim. O primeiro alucinado da noite surgiu então. Um jovem que se auto-intitulava "Salazar" e que queria imenso ir ver o gabinete do Sr. Dr. Marcelinnho (sic) para lhe prestar a devida homenagem. Ainda teve tempo de trocar dois dedos de conversa com a estátua do D. Nuno Álvares Pereira e quando nos cruzámos no andar de cima, vira-se para mim, completamente eivado de emoção, e agita o punho crispado dizendo com sentimento: "Imaginem estarmos aqui, estamos a ser cercados agora. Não tarda vão disparar. É dramático e perigoso!!" Sorri de forma amarela e escapuli-me para a sala que se seguia. O homem segue-me, mas felizmente para mim, reconhece na mulher que está na sala com duas crianças uma
personalidade da TV (sei quem é, mas não sei como se chama, sorry) e aproveita para a importunar a ela, proclamando que "a conhecia, que os óculos escuros disfarçavam, mas que ainda assim ele reconheceu-a porque é muito observador". A dita senhora arrebanhou os filhos e literalmente fugiu dele. Sobrou para mim, claro. "Eu ainda me meto em problemas qualquer dia", disse-me ele, "É que eu abordo assim as pessoas sem jeito nenhum. Ai qualquer dia arranjo problemas!" Ao que eu repliquei, tentando dar um tom irónico e um olhar significante ao máximo: "Pois. Pois é." E reeditei a grande evasão posterior. Que lunático.
personalidade da TV (sei quem é, mas não sei como se chama, sorry) e aproveita para a importunar a ela, proclamando que "a conhecia, que os óculos escuros disfarçavam, mas que ainda assim ele reconheceu-a porque é muito observador". A dita senhora arrebanhou os filhos e literalmente fugiu dele. Sobrou para mim, claro. "Eu ainda me meto em problemas qualquer dia", disse-me ele, "É que eu abordo assim as pessoas sem jeito nenhum. Ai qualquer dia arranjo problemas!" Ao que eu repliquei, tentando dar um tom irónico e um olhar significante ao máximo: "Pois. Pois é." E reeditei a grande evasão posterior. Que lunático.Cá fora, tempo de imperial e de um coro qualquer que lá entreteve a populaça com algumas cançonetas interventivas. O coro era mauzito, mas cantavam com evidente alegria e vontade, pelo que até se esteve bem. Pior mesmo foi a brazucada que veio a seguir com uma menina que, sim, era gira e tal, mas não cantava nada, e uma bandazeca que mal se ouvia (excepto o bombo). Aguentámos a primeira apenas ("éla só qué námorá" etc etc) e fomos espreitar o Largo de Camões, visto que concluímos que o Carnaval já tinha passado, pelo que se passava bem sem a batucada brasileira e o caneco do caraças!
No Camões, para além de aprovar largamente a implantação do quiosque do Jardim das Amoreiras (porra, antes deslocado e a funcionar, do que no local original, mas abandonado), tomei contacto com o programa das festas: um mega quadro electrónico para onde se podia enviar SMS (hmmmm, ok......) e uma série de nomes, actores maioritariamente, que iriam declamar poesia variada num palco que manteria sempre um microfone aberto para qualquer um dizer de sua justiça.
Só uma jovem quis ir lá berrar umas coisas, que mal se percebiam, coitada. Qualquer coisa como: "BRAHAHAHDA AAAARGH! LIBREDAHDE! AHAHAGHA 25DABRILE SEMPRAAAGH"
Seguiu-se, quase de imediato a primeira função. A tal série de actores, escritores e o catano ao cubo, tudo junto a declamar. Eis uma foto dos meliantes:
Porquê "meliantes"? porque, em boa verdade, e com todo o respeito pela liberdade de expressão e pelo que o 25 do 4 representa, confesso que desejei e ansiei pela chegada dum auto tanque com mangueira de alta pressão para dispersar aqueles bárbaros. Ok, façam o que quiserem, e como quiserem. Façam as figuras, palhaçadas, macacadas e ridicularias que quiserem. Estão no vosso direito. E eu estou no meu direito de os considerar uns palhaços. Ler poemas, declamar aos berros e em galhofa geral...enfim, não sei, mas acho que retira alguma seriedade à coisa....o que é contra producente não? Pior foi mesmo terem posto o "Depois do Adeus" e terem procedido a cantar a altos berros e potente desafinação espasmódica por cima da canção. Os espasmos ficaram a cargo de uma senhora, que sempre respeitei em geral (e que não vou nomear), mas que naquela noite devia estar com algum problema na psique. Berrava e abanava-se tanto que até os palhaços subordinados se viraram para olhar, no meio do gáudio geral, conforme se vê na foto. I speaketh the truth! A figura que aquela gente estava a fazer era inqualificável, mas estou certo que muitos terão apreciado o cariz artístico da intervenção dos supostos artistas...enfim. Mais uma vez no respeito pelos valores revolucionários do 25 de Abril, era aproveitar que estavam ali todos alinhadinhos e.....
In the meanwhile tivémos o prazer de ver chegar Shiva, ops, perdão, António Costa e Vereação em geral. Devia andar a fiscalizar as festarolas feitas com o guito da Câmara. E sim, chegou com um sorriso nos lábios que se foi tornando mais amarelo à medida que a palhaçada continuava. Boa publicidade ó Tó! Nada como este esbanjamento do erário da edilidade às portas das eleições.
Fugimos. Em direcção ao Pinhal Novo. Estas comemorações do 25 do 4 em Lisboa estão-se a tornar demasiado pseudo intelectuais. Nada como ir em busca de uma comemoração à antiga.
Margem Sul power yo!
Margem Sul power yo!
(continua)

2 comentários:
meia hora depois ainda me estou a rir!!!!!
De facto o mundo anda estranho....
FM
E houve mais alucinados e malucos nessa tarde e noite. Mas não havia tempo nem disponibilidade para estar a contar tudo! LOL
:)
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