terça-feira, dezembro 20, 2005

Mesmerize/Hypnotize



São dois álbuns no fundo, um lançado no primeiro trimestre do ano e o outro lançado no último, mas é quase impossível desligá-los. Ainda para mais quando se sabe que originalmente eram para ter sido lançados juntos num duplo álbum. Era a ideia original da banda, impedida pela editora de o fazer. Obviamente porque assim mais dinheiro caiu no banco. Mas, na minha opinião, trata-se do mesmo álbum, e não me surpreenderá se daqui a uns tempos sejam relançados juntos (como aconteceu agora com os álbuns do Rufus Wainwright, “Want One” e “Want Two” lançados separadamente pelas mesmas razões aduzidas e agora relançados juntos sob a designação, natural de “Want”).

Tal política não favoreceu os SOAD no sentido de que o primeiro, “Mesmerize”, surpreendeu, enquanto que o segundo já não, por, alegadamente ‘não trazer nada de novo’. Pudera! Trata-se do mesmo álbum, divido em dois! Peguem num álbum qualquer e dividam-no em duas partes para serem lançadas com meses de intervalo. É óbvio que a segunda parte virá na sequência da primeira, pois ambas nasceram do mesmo processo criativo, e ambas deviam estar juntas. Enfim.

Este álbum surpreendeu, e surpreendeu-me pela positiva, pelas diferenças fundamentais que traz em relação aos anteriores “System Of A Down”, “Toxicity” e, em certa medida pelo “Steal This Album!”, apesar deste já traga algumas das linhas fundamentais desenvolvidas nesta obra dupla. Embora já apreciando esses álbuns, é com este “Mesmerize/Hypnotize” que os SOAD desenvolvem aquelas qualidades que, a meu ver faltavam: melodia, harmonia e maior preocupação em composição musical, em detrimento das puras explosões eléctricas de fúria e raiva que os caracterizam.
A temática lírica continua a mesma, crítica, irónica e politicamente preocupada, mas agora isso sobressai mais com estas ‘novas roupagens’. A certeza que tenho deste facto é-me ainda confirmada pelo facto de alguns fãs mais acérrimos da banda considerarem este álbum como o álbum em que os SOAD se ‘comprometem’ à indústria e ao mercado. Porquê? Porque é uma obra em que pontua a melodia e a harmonia, em que já não há tanta preponderância daqueles ritmos e vocalizações ‘loucas’ e ‘alucinadas’ do vocalista em que é dado espaço tb ao guitarrista para cantar, o qual tem uma voz bem mais melódica que o vocalista. Pasme-se, até solos e guitar leads o álbum tem. Nunca integrei os SOAD no ‘nu-metal’, mas seja como for, cada vez mais se afastam da possibilidade de as pessoas poderem fazer essa integração.

Em suma, uma banda que sofre um pouco quer pelo preconceito (de que eu partilhava até há uns tempos), quer pela imagem e estilo que cultivam ou cultivavam. O que é certo é que, na minha opinião estamos na presença duma banda extremamente original e inovadora em muitos aspectos. Não me parece que haja mais qualquer outra banda a fazer o mesmo.



You and me
We'll all go down in history
With a sad Statue of Liberty
And a generation that didn't agree

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