quarta-feira, junho 11, 2008

Street Kings

De vez em quando até tem piada ir a um cinema e escolhe um filme do qual não se conhece absolutamente nada. É bom, porque o nível de expectativas é igual a zero. Se bem que, um filme com tantas estrelas há-de criar sempre algum nível de expectativas. Vejo depois no cartaz que o argumento foi co-escrito por James Ellroy (o mesmo do LA Confidential e Black Dhalia) e penso que é seguro esperar um bom filme policial.
Bom, não é um filme excelente, mas é bastante bom e digno de se ver no cinema. Para já é um filme que foi aproveitado por, pelo menos, três actores, para fazerem o papel contrário (ou pelo menos bem diferente) do habitual. É o caso do Hugh Laurie, Forrest Whitaker e do protagonista Keanu Reeves. Em segundo lugar, não é um filme de 'bons e maus', ou de "good cop/bad cop". É como o Forrest Whitaker diz a dada altura: "We are all bad".
Não deixa de ser interessante notar mais uma vez que o estado de coisas no Mundo e na América em particular é de tal forma pessimista que aquela ingenuidade do Bem vs. Mal já há muito deixou de ser um elemento presente. Salvo, claro está, em filmes de fantasia em que essa ingenuidade é um elemento essencial, talvez para colmatar a falta noutros filmes. O mundo já não é branco e preto, mas sim, e cada vez mais, cinzento. Daí ser interessante ver um Keanu Reeves e um Forrest Whitaker fazerem personagens desprovidos de moral. Aliás, todos os personagens revelam uma dose variável de imoralidade ou amoralidade. O próprio final não deixa espaço a uma grande moral ou redempção ingénuas. É o Mundo que temos.
O argumento em si é realmente muito bom, embora dê a sensação de ter sido re-escrito algumas vezes. Mas ainda assim é bastante sólido e apesar de a certa altura ser um pouco complexo, consegue manter-nos interessado e reserva bastantes surpresas inesperadas.
No fundo não traz nada de novo, se se pensar bem. Mas vale a pena ainda assim. O Keanu Reeves está longe de ser um excelente actor (digamos que é passável...) e não sei se foi uma boa escolha. Sempre o achei pouco expressivo e muito unidimensional; muito distante e frio. Isso sempre me irritou...mas, por outro lado, reconheço que são exactamente essas as características principais da personagem que ele interpreta...portanto, all in all, é capaz de ter sido uma boa escolha.

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