quinta-feira, dezembro 04, 2008

W.A.L.K.

The windy busy night pulsated strong with cellphone radiations and the frenzy of the neons and the Christmas lights. The people rushed everywhere, everyone having a place where they, apparently, had to be and as quickly as possible. Everyone except Alex, seemingly. But he was used to it.
In the meantime, the city streets buzzed and hummed, moaning and complaining with the traffic and people talking, running, laughing and arguing. Many of them were busy speaking in their cellphones, others were lost in their MP3 storage capacity, others still seemed occupied with themselves and their thoughts, one or two even talking loud with themselves.
But all of them shared the same feeling of urgence, of utter need to get away from the place where they were and just be…well, somewhere else, anywhere. A typical big city, end of the afternoon, rush hour.
As for Alex, he felt different. As usual he seemed to have all the time in the world to get wherever he wanted to go. Even when he had an objective, a purpose, an appointment, he always had lots of time in his hands to get there. That allowed him to move in these streets in a different way, with a different perspective.
He had so many time that he developed some sort of aqquired taste for walking. Walking everywhere seemed to give him a sense of fullfilment, of actually doing something, of looking occupied. He walked everywhere, and he took his time doing it. His friends mocked him because of the long lenghts of walking he sometimes endured, but Alex didn't care. He liked it. Soon the mere act of walking became something like a science, or beter yet, a ritual. He always turned on his own MP3 player, (because when in Rome do as the romans), buttoned his coat, lit a cigarrette and off he went.
Walking gave him the feeling of having a goal to achieve, even if small, and marching straight ahead through these crowded streets made him feel like some sort of evolution was happening. Like he was getting somewhere, not only physically, but mentally as well. It was as if by walking he was leaving something behind, as if he was letting go some extra weight in his life behind him, while in the front laid the future. Almost as if at the turn of each corner there would be something exciting and new waiting for him. Or at least something new at any given point of his small journey. Of course that never happened, but in a weird way, he kept hoping. And walking. Almost feeling like the only way to get “there” was to keep walking and walking. Eventually he’d find it. Whatever that was.
And the funny thing was that as much as he walked through the same streets over and over again he never had that sense of dejá vu, maybe because he was always expecting something new out of it. It was all about the simple physical act of putting one foot ahead of the other, and just go!
During these walks the world outside never stopped. It kept rushing and running. Sometimes Alex felt like he was walking in a slow mode. Or better yet, like he was walking in a regular speed and the entire world outside him had the fast forward button stuck. It was weird, almost funny, seeing everything in a fastforward mode. The lights of the cars mixed into several blurred threads of lights, all the voices and noises were engineered in some sort of low frequency shriek that made Alex laugh. It was like watching from the outside this big caroussel speeding and turning.
But every once in a while, and those were Alex’s favorite moments, the table turned and it was the world itself who stopped. In those walks Alex was able to let himself and the world so far behind him that he almost felt that he was moving through the streets where everything and everyone was frozen or moving really really slow. Those were really his favorite bits, because he felt that no one noticed him while he, in his turn, seemed to have lots of time and opportunities to look, to watch, to quietly observe the world and the people.

It was quite paradoxal after all. While he walked in search of something, God knows what, he also enjoyed the anonymity he found on those cold, barren streeets. "Go figure!", he thought, "The World is crazy, and i'm going crazy with it. God damn!"



Gunther Dünn

quarta-feira, dezembro 03, 2008

UPA


Uma prenda interessante para o Natal. E solidária. E tem boa música incluída. Como esta, dos Xutos e Pontapés e os Oioai:



PERTENCER

desapareço a vapor
fico fechado ao lado
sentindo-me só
passando despercebido

à garrafa agarrado
o meu nome é...
desapareço ao teu lado
de fora fico a ver

as pessoas para onde vão?
dentro dos autocarros
levados são levados
comida por liberdade

o meu nome é joão e vivo ao teu lado
o meu nome é yuri do continente gelado
o meu nome é zero nesta democracia
deixa-me pertencer eu quero pertencer-te




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terça-feira, dezembro 02, 2008

March of Metal 30.12.2008

E é com eventos assim, com boas bandas, com organização e planeamento, com excelente espírito, que as coisas vão prá frente. Eventos como este, como o Lusitanian Equinox, o Fest da Irmandade Metálica (que não pude apreciar devidamente por falta de condições psicológicas essenciais), entre outros, é que dão gosto assistir e estar. Grande espírito de camaradagem, de grande família, de pequena aldeia onde todos se conhecem, mas sem o lado negativo que essa ideia às vezes trás. É mesmo um espírito de celebração.
As bandas foram excelentes, mais uma vez. A organização esteve no ponto e em cima do acontecimento. Está de parabéns o Leo dos Mindfeeder.
Fotos foram mais que muitas, mas estas bastarão.


Castle Mountain



Seventh Circle



Shivan



Mindfeeder



Attick Demons





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segunda-feira, dezembro 01, 2008

Heavenwood 29.11.2008



Ehehe. Receava por este concerto. As expectativas que estavam criadas eram tantas que não me admiraria que acabasse por sair desapontado. Mas não! Cumpriram o que prometeram e mais ainda! Muito bom. Caraças! Que concertão! Hora e meia de música com dois encores, sendo que o último exigido pelo público. Mesmo com dois elementos convidados para tocarem ao vivo, soavam e pareciam uma banda completa e segura de si. O ideal seria mesmo meter o baixista e o baterista a tempo inteiro. Mas pronto. Para já estou satisfeito!
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Hyubris 29.11.2008




Excelente concerto de Hyubris. Para quem os viu pela primeira vez há alguns anos na Festa do Avante, no Palco Novos Valores, é uma agradável surpresa encontrar uma banda tão forte ao vivo e em cima de um palco. Já no ano passado em Torres Novas me surpreenderam, mas desta vez foi ainda melhor. O acórdeão, flauta e gaita de foles são usados e misturados com os instrumentos, digamos, "mais tradicionais", de uma forma perfeita. E quem diz que não se pode cantar metal em português? :D

Eh lá...

....dói-me o pescoço!!!


\m/ ^^\m/

sábado, novembro 29, 2008

sexta-feira, novembro 28, 2008

Redemption


Há 10 anos atrás, mais ou menos, quase (eu disse quase!) que se falava de Heavenwood e Moonspell como dos The Beatles e dos The Rolling Stones nos anos 60/70. Uma espécie de competição não declarada, proporcionada pela excelência das duas bandas que se destacavam no panorama metálico nacional. É algo exagerado talvez, mas era essa a minha percepção. Os Moonspell já estavam a iniciar a sua ascenção ao topo quando os Heavenwood lançam o brilhante álbum de estreia "Diva", em 1996. Os ingredientes não eram novos, mas o resultado final (e a qualidade do mesmo) eram pouco usuais na altura.
Na mesma altura os Moonspell enveredaram por caminhos mais "góticos" com o "Irreligious" e a comparação era inevitável. Porém, por muito bom que o "Irreligious" fosse (e é), sempre preferi a sonoridade mais gélida do "Diva". Gótico? Não sei, mas era arrastado e melódico, diferente do resto.
Em 1997, com o "Swallow" os Heavenwood surpreendem ao contar com dois convidados de peso: Kai Hansen (aka Deus) e Liv Kristine. E desta vez não tive qualquer dúvida. Apesar de ainda mais gótico, o "Swallow" era consideravelmente melhor que o "Butterfly Effect" dos Moonspell.
Os Heavenwood eram assim considerados como a "next big thing" do metal português, com dois álbuns extremamente "exportáveis".
Porém, a isto tudo seguiu-se o silêncio. Um hiato de 10 anos, quebrado apenas agora com este "Redemption" que me está a sair um álbum do caraças.
E, se por um lado, a qualidade elevada deste disco, evolução lógica dos outros dois, quase que faz esquecer estes 10 anos de espera, por outro é inevitável a pergunta: onde estariam osd Heavenwood hoje se não tivesse havido este hiato?
Talvez não valha a pena perder tempo com esta questão. A verdade é que com este "Redemption" eles estão de volta e com qualidade suficiente para chegarem longe outra vez. E bem merecem esta segunda oportunidade, porque qualidade musical assim nem sempre aparece com tanta consistência.
"Redemption" é não só uma continuação do que ficou para trás, mas também um disco que consegue refinar ainda mais essas qualidades e virtudes dos dois álbuns anteriores. Não tão Death/Doom como o "Diva", não tão Gothic como o "Swallow", este álbum condensa bem aquelas duas vertentes. Sim, as raízes não são novas, mas é mais uma vez o resultado final,a apresentação, que contam. "Redemption" mostra uma banda que sabe bem o que quer e para onde quer ir.
Aquele Doom/Death melódico do primeiro álbum cntinua presente, bem como os tais elementos mais góticos do do segundo, mas surgem aqui muito bem mesclados, criando uma sonoridade, mais uma vez, única entre nós. O Gus G. dos Firewind, Jeff Waters dos Annihilator e Tijs Vanneste dos Ocean of Sadness, entre outros, devem concordar, e dão excelentes contribuições no álbum.
A música continua bastante dark e soturna, mas o ritmo mais pesado equilibra-se na perfeição com a melodia, da mesma maneira que as vozes mais rasgadas do vocalista se combinam bem com a voz melódica do guitarrista.
Enfim...foram, se bem me lembro, a primeira banda portuguesa a tocar no Wacken Open Air em 1998. Eu vi-os num singelo showcase na Fnac do Colombo, há mais de 10 anos. Agora, finalmente, um concerto como deve ser. The redemption after all.


Bridge to Neverland ("Redemption"):




Emotional Wound ("Diva"):


Season '98 ("Swallow"):




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terça-feira, novembro 25, 2008

Agora é que é...

...o Mundo deve estar para acabar mesmo.


Ei-lo que saiu finalmente das entranhas mais profundas onde esteve a marinar estes anos todos. Qual Nostradamus qual carapuça. O lançamento oficial do "Chinese Democracy" dos Guns N' Roses deve ser o primeiro sinal de que o Mundo está mesmo para a acabar. Hora de sair para a rua com cartazes a exclamar em letras garrafais "Arrependei-vos, pois o fim está próximo!"
A mera existência deste álbum já fazia parte do folclore, das lendas tradicionais, um verdadeiro mito urbano. O último álbum de originais dos GN'R data de 1991 (!!) e em 1993 lançaram o sofrível "Spaghetti Incident?", um álbunzeco de covers. Portanto, mais ano ou menos ano, a verdade é que há mais de uma década que se aguarda este álbum. E há mais de uma década que se duvidava da sua existência. Dizia-se inclusivamente que o álbum só veria a luz do dia quando a China se tornasse uma verdadeira democracia. A companhia de refrigerantes Dr. Pepper chegou inclusivamente a desafiar Axl e Cia dizendo que se comprometiam a oferecer uma garrafa de Dr. Pepper a TODOS os americanos que a solicitassem, caso o álbum fosse lançado em 2008. LOL
Bem dizia o Sebastian Bach que existia sim senhor. Mas quem é que ouve esse palhaço?
Enfim, eis que aí está o disco para quem o quiser ouvir.
Tem piada que nunca fui grande fã dos Guns N'Roses na altura em que estiveram no auge. Sim, tinham uma série de músicas muito boas, excelentes mesmo, mas nunca me 'puxaram' muito. Só muito tempo depois começei realmente a apreciar os álbuns como um todo, em especial o "Appetite for Destruction".
Seja como for, aquele álbunzeco de covers, a saga interminável da gravação deste disco, a entrada e saída constante de músicos na banda, bem como a prestação menos boa que vi num qualquer Rock In Rio, levaram-me a concluir que aquilo era uma banda morta...ou moribunda.
Daí ser natural não só preparar-me para ouvir o novo disco com um pé atrás, como até, sim confesso, pronto, com uma certeza de que não ia ser nada de jeito. Preparei-me portanto, para cascar feio e forte e rir-me a bom rir.
Mas o sacana do álbum é bom. Muito bom aliás. Devo reconhecer. Vou passar à frente da discussão de saber se deveriam ter adoptado outro nome ou não. Até porque é de difícil resposta. Há muitos momentos típicos dos 'velhinhos' GN'R, mas este álbum é completamente diferente de todos os que estão para trás. Diferente o suficiente para fazer espumar de raiva alguns fãs mais puristas, estou certo. Quanto a mim, gostei.
É um disco grande, e como tal é inevitável que nem todas as canções tenham a mesma qualidade. Há, realmente, algumas que não são nada de jeito. Mas as que são boas são mesmo muito boas, e são em maioria sim senhor. Há muitos elementos novos, nomeadamente o uso de alguma electrónica e efeitos e, acima de tudo, sente-se a falta do som da guitarra do Slash, um som mais orgânico e fluente. Mas apesar disso, os músicos que lá estão, sejam eles quem forem, são bons.

O que me surpreendeu mais neste álbum é que tem todas as condições para ser um fracasso. Nomeadamente é uma salganhada de coisas que, normalmente, dão mau resultado. Não só isso, como também é um álbum composto ao longo dos anos, por diferentes pessoas e músicos. Onde antes havia dois guitarristas agora chega a haver cinco (!!) de uma vez só. Parece que o Axl esteve estes anos todos a absorver e a inchar (no pun intended ehehe) e subitamente explode e começa a disparar para todos os lados. Temos algum hard-rock, rock industrial, baladas, rock sinfónico e orquestral, ritmos electrónicos, quase de hip-hop, metal, rock zeppeliniano, o uso de mellotrons, samples, sintetizadores, uma parede de guitarras etc etc. E o que surpreende é que tudo isto, toda esta amálgama de coisas, resulta bem no fim e as canções sobressaem cheias de personalidade e sobrevivem por si mesmas."There Was A Time", "IRS", "Chinese Democracy", "Street Of Dreams", "Catcher N' The Rye", entre outras, revelam uma banda bem diversificada e com fortes possibilidades de ainda fazerem melhor.
E o 'já não tão jovem Axl' continua com um vozeirão do catano. Melhor até, se calhar.
Enfim, um álbum "over the top", épico, audacioso e muito auto-indulgente. Que mais haveria de ser? São os GN'R.

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domingo, novembro 23, 2008

The Last Shadow Puppets

E outros que me surpreenderam muito este ano. Estes foram recomendados pelo Zé Pedro. The Last Shadow Puppets. Super banda, ou melhor, super duo composto por Alex Turner dos Arctic Monkeys e Miles Kane dos The Rascals. A atenção é, naturalmente, atraída para o primeiro nome, mas quem já ouviu The Rascals penso que pode presumir que o Kane também é uma força compositora enorme neste duo.
Mas já as diferenças entre estes Puppets e os Artic Monkeys são muito maiores.
Ironicamente este disco é tudo menos um "understatement". Com orquestrações elaboradas, texturas complexas e acordes soturnos é um álbum de pop sinfónico muito ambicioso e por vezes mesmo "over the top". Respira anos 60 por todos os poros, misturado eficientemente com um ambiente "James Bondiano" (especialmente na faixa título). No fundo é disso que se trata, de uma viagem nostálgica, sem vergonha de se assumir como tal, com ecos do universo de Scott Walker e recantos interessantíssimos providenciados pelos arranjos grandiloquentes de Owen Pallett (pois, o dos Arcade Fire).

http://www.theageoftheunderstatement.com/

Alex Turner (Arctic Monkeys) & Miles Kane (The Rascals) are The Last Shadow Puppets.

Directed by director Romain Gavras, their debut video is as big as Mother Russia, following our intrepid heroes' adventures in Moscow and includes ice skating, an Orthodox priest, Soviet tanks and a chorus of Russian Soldiers.



The Last Shadow Puppets release their second single, 'Standing Next To Me' on Monday the 7th of July 2008. Taken from their recent number 1 album 'The Age Of The Understatement', 'Standing Next To Me' features Alex and Miles on duel vocals, injecting a sense of flair and drama into a 2 minute 18 second pop gem.

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