Sim, estava cansado. O corpo estava cansado, depois de uma mega noite de heavy metal prá carola. A que acresceu as míseras 4 ou 5 horas de sono. Mas a verdade é que se o corpo estava cansado, a mente ainda pedia mais. É muito chato isto. Não sei realmente explicar o porquê, mas parece-me que, de vez em quando, o cérebro quer continuar a ser estimulado, apesar do corpo já estar mais que estoirado. Daí o sono leve dos últimos tempos, o custar a adormecer nalgumas noites e, uma ou outra insónia.
Repito: não sei explicar a razão disto. Sei que há um par de meses andava assim, mas tinha uma razão específica para tal. Agora nem por isso. Talvez seja só a vontade de alimentar o espírito. De pedalar continuamente porque, como todos sabem, a bicicleta cai se deixarmos de pedalar. Whatever. É chato porque fico cá com a impressão que não devia andar a forçar o belo do corpinho sem lhe dar o merecido descanso. Mas pronto. Domingo serve para isso mesmo. Assim, ontem, após uma manhã dedicada a um electrodoméstico, e uma tarde inteira para uma cozinha (isso está a ficar catita A.!), estava pronto para mais estímulos. Aparentemente perfilava-se no horizonte mais um concerto dos Banda Gástrica. Mas não. Num daqueles momentos completamente fruto do momento, "spur of the moment", como diriam os bifes, ou um "Goddamnit, i'm going!", acabei por ir sim. Claro que após sugestão do F. Acabei por comprar os dois últimos bilhetes disponíveis. A isto se chama A Fézada! Besides, o heavy metal será sempre a minha música de eleição, mas, de vez em quando sabe bem variar.
E pronto, Dead Combo, Camané e José Mário Branco, no Music Box. E é assim, com decisões de última hora, impulsivas e baseadas em gut feelings, que se acabam por assistir a grandes concertos. E a prova mais que provada que isto foi mesmo decisão de última hora é que nem levei a câmara. Serviu o telemóvel, mas com pouquita qualidade. Já digo que gostava de ter algo mais forte que a minha fiel NYTech, mas desta vez tive saudades dela.
Tinha alguma curiosidade em ver os Dead Combo e o Camané. Só conhecia este último, ao vivo, nos Humanos e gostei. Dos primeiros confesso que não gostei assim muito quando ouvi há uns largos tempos. Mas desde então acabei por mudar de opinião. Criam ambientes interessantes, muito "Morriconeanos", sem perderem a portugalidade.
Do Camané só posso dizer que tem um vozeirão impressionante!!! Juntos cantaram o tema que gravaram para a compilação UPA! no ano passado, "O Vendaval" que é excelente.
Quanto ao José Mário Branco era mais que a mera curiosidade. Sendo a figura insigne que é na música portuguesa, achei que era quase um dever vê-lo, nem que fosse uma vez. Para conhecer, para saber, para dizer que vi e ouvi. E em boa hora o fiz. É um senhor. Sim, em certa medida vindo directamente dos tempos do punho erguido, do cravo e da viola às costas. Mas, por outro lado, um homem, cantor, autor e compositor de hoje. Ainda bem que fui. Obrigado F.




Inquietação
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
José Mário Branco
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