Alan Moore, não satisfeito em criar uma das, senão a melhor Graphic Novel de todos os tempos, Watchmen, encontrou ainda inspiração e engenho suficientes para incluir em Watchmen uma outra história, sob o formato de uma Graphic Novel também ela, lida por uma das personagens
secundárias da narrativa principal. A história "Tales..." conta a história de um marinheiro sobrevivente ao ataque de um sinistro navio pirata e da sua luta por chegar primeiro à sua aldeia costeira antes do navio pirata. A viagem para lá é repleta de cenas horripilantes. Durante a sua viagem desesperada para casa, o marinheiro é forçado a cometer accções terríveis, mas ditadas pelo agudo sentimento de urgência. E é assim que vai perdendo todo e qualquer pudor à medida que vai avançando, desde usar os corpos putrefactos dos seus companheiros para construir uma espécie de jangada, até cometer variados assassínios de inocentes com base em pressupostos errados. A urgência e o medo de chegar depois do sinistro navio é tal, que a loucura acaba por tomar conta dele ao supor, erroneamente, que chegou tarde demais.Agora...que diabos faz uma história de piratas no meio de uma história de ficção científica e de super-heróis? Aparentemente parece algo deslocado, mas não. É mais um dos pontos que prova que nesta obra prima, tudo, ao mais ínfimo pormenor tem uma razão de ser e está correlacionado.
Antes de mais, sendo Watchmen uma obra de total desconstrução do mito dos chamados super-heróis, é natural que os comics desse mundo versem sobre outros temas, como o horror, a fantasia ou a pirataria. Além disso, num mundo que tem a experiência de super-heróis, as pessoas comuns não se interessariam por ler banda desenhada sobre super-heróis.
Exactamente por isso a imagética dos piratas funciona como um contraponto perfeito ao "mundo
real" de Watchmen. Um contraponto complementar, não confrontativo. O livro é lido por um rapaz num quiosque cujo dono vai lendo e comentando as notícias dos jornais. Tanto a história como as notícias vão caminhando para um fim trágico.Mas mais do que isso...quer no marinheiro, quer no personagem da história principal, responsável pelos mistérios e intrigas existentes (e cuja identidade só se descobre no fim) há a mesma sensação de "o fim justifica os meios". Em ambos há o sacrifício crescente de valores e de humanidade em nome dum bem, suposta e subjectivamente maior. Ambos esperam evitar um desastre a todo o custo, mesmo que para isso provoquem outros ainda maiores. Um erro crasso de julgamento.
O lançamento disto em DVD, juntamente com outros goodies só prova que esta é daquelas adaptações levadas mesmo a sério.
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