domingo, janeiro 18, 2009

Top 10 2008 Metal

E pronto. Foi uma empreitada de monta! De tanta coisa que ouvi este ano, acabei por seleccionar 40 discos eventualmente merecedores. Reduzir estes para 10 foi relativamente fácil, embora se tenha complicado cada vez mais à medida que iam sendo eliminados. Estes ficaram, resolvi seguir o instinto inicial. Mas custou-me deixar de fora o "Into the Night" dos Enforcer, o "Wake the Sleeper" dos Uriah Heep, o "Twilight of the Thunder God" dos Amon Amarth, "Heading Northe" dos Stormwarrior, "King of Hell" dos Helstar, o "Night Eternal" dos Moonspell e o "The Scarecrow" dos Avantasia (aquela 'celinedionzada' é que acabou por perder este álbum). Portanto, sem mais delongas....

#10. ALMAH – “Fragile Equality”


O álbum a solo do Edu Falaschi, converteu-se em nome de banda, e eis que os Almah lançam assim o seu primeiro álbum, segundo do Edu sem os Angra. Enquanto estes atravessam um hiato aparentemente forçado, ele meteu mãos à obra novamente. E ainda bem. Este álbum é bem mais conseguido que o anterior que, já de si era muito bom. Continua a ter uma voz poderosa e parece não se esforçar muito por consegui-la. Os guitarristas não são a dupla Bittencourt/Loureiro, claro, mas ainda assim são fantásticos, a comprovar pela faixa de abertura, “Bird of Prey”. As referências à música brasileira não são tão óbvias como em Angra, claro, mas existem pontualmente.

“Birds of Prey”: http://www.youtube.com/watch?v=gV82WMnDw2o


#9. OPETH – “Watershed”



Bem, já toda a gente sabe que eu gosto destes gajos. Era preciso ser muito mau para “escaparem” ao Top 10. E “muito mau” parece ser coisa impossível de fazer da parte deles. Sim, é uma banda que não é do gosto de uns, que é indiferente a outros e mesmo odiada por ainda outros. Mas quanto a mim, continuo a considerá-los geniais e brilhantes no que fazem. Sim, este álbum custou-me a ouvir de início. Eles resolveram exigir mais atenção do ouvinte desta vez. E assim que esta é devidamente dada, este álbum discorre magnificamente.

“Burden”: http://www.youtube.com/watch?v=4UQCqvkWdAs


#8. JUDAS PRIEST – “Nostradamus”



Depois dum ‘morno’ “Angel of Retribution”, ouvir dizer que os Priest se iam dedicar a um álbum conceptual e duplo ainda por cima, não augurava nada de bom. Pior ainda, um álbum conceptual sobre Michel de Nostredame, o famoso profeta do apocalipse francês do século XVI, ideia que, convenhamos, já não é muito original. Mas, surpresa, surpresa! A coisa funciona bem. De facto tem algumas canções/interlúdios que não adiantam nem atrasam, mas que, numa perspectiva geral, contribuem muito para o feeling total da obra. Naturalmente um álbum odiado por muitos, mais puristas, mas aqui por estes lados, rodou bastante. Venha o concerto agora!

“Pestilence and Plague”: http://www.youtube.com/watch?v=AavyPpQLjCA


#7. SERENITY – “Fallen Sanctuary”



Mais um segundo álbum e mais um top10. Estes austríacos são excelentes no que fazem. Não vou entrar em pormenores respeitantes a etiquetas e tal, é heavy metal, sinfónico, muito orquestral, proggy aqui e ali e repleto de riffs de guitarra que se colam aos tímpanos que é uma coisa parva. Nada de novo talvez, mas gosto, e muito, da forma energética e profissional com que eles conseguem pegar em todas estas coisas pouco novas e apresentar um produto final que revela personalidade própria. Se já o anterior era bom, este aumenta ainda mais a parada.

“Velatum”: http://www.youtube.com/watch?v=Yxt9iv1fyRI


#6. TESTAMENT – “The Formation of Damnation”



Poucas palavras são necessárias. São os Testament. E estão de volta à velha forma. À forma que sempre os caracterizou e que fazem deles uma das minhas bandas preferidas de sempre. Devo dizer que o “Demonic”, álbum anterior, aborrece-me. Os Testament são uma banda de thrash metal, das pouquíssimas que realmente aprecio. E estar a ouvi-los a fazer um álbum próximo de death metal, completo com grunhidos e urros do Chuck Billy, enfim, não é bem isso que quero ouvir quando penso em Testament. Mas pronto, isso já lá vai. Formação original reunida, Greg Skolnick de volta à guitarra e composição e pronto, problema resolvido. Sai do forno um álbum potente, pesado e melódico.

“More Than Meets The Eye”: http://www.youtube.com/watch?v=09rHDabBQfA


#5. Heavenwood – “Redemption”



Onde estariam os Heavenwood hoje se não tivesse havido o hiato entre 1998 e 2008?
Talvez não valha a pena perder tempo com esta questão. A verdade é que com este "Redemption" eles estão de volta e com qualidade suficiente para chegarem longe outra vez. E bem merecem esta segunda oportunidade, porque qualidade musical assim nem sempre aparece com tanta consistência.
"Redemption" é não só uma continuação do que ficou para trás, mas também um disco que consegue refinar ainda mais essas qualidades e virtudes dos dois álbuns anteriores. Não tão Death/Doom como o "Diva", não tão Gothic como o "Swallow", este álbum condensa bem aquelas duas vertentes. Sim, as raízes não são novas, mas é mais uma vez o resultado final,a apresentação, que contam. "Redemption" mostra uma banda que sabe bem o que quer e para onde quer ir, e que consegue criar uma sonoridade única entre nós.
A música continua bastante dark e soturna, mas o ritmo mais pesado equilibra-se na perfeição com a melodia, da mesma maneira que as vozes mais rasgadas do vocalista se combinam bem com a voz melódica do guitarrista.

“Bridge to Neverland”: http://www.youtube.com/watch?v=mgmCymaWjKQ


#4. VOTUM – “Time Must Have a Stop”



E eis um disco que, este sim, me acompanhou durante meses e meses deste esquisito ano. Votum, "Time Must Have a Stop". São polacos e este é o primeiro álbum. O estilo? Metal/rock progressivo, bastante melódico, com alguns laivos de Opeth e Dream Theater aqui e acolá. Foi o cabo dos trabalhos encomendar este CD, uma vez que por cá não temos, claro. Mas finalmente chegou. E aprendi que é possível uma encomenda demorar mais tempo a chegar de Espanha que dos EUA.
A capa do disco é um dead giveaway da música melancólica, algo dark e psicadélica. É um álbum épico, mas ao mesmo tempo de uma grande simplicidade. Grande companhia me fez. Calculo que tenha passado despercebido em geral e que não seja de todo do agrado de muitos. MAS a mim tocou-me bastante a melancolia. Sim, nada “puro e duro”.

“The Hunt is On”: http://www.youtube.com/watch?v=FugTiR3yo4Y


3#. IRONSWORD – “Overlord of Chaos”



Os Ironsword voltam a viajar para terras da Ciméria, continuamente inspirados pelo imaginário de Robert. E. Howard e gravam aqui um álbum brilhante. Não chego ao ponto de dizer que é o melhor disco de heavy metal gravado em Portugal, mas dentro deste género sê-lo-á certamente. Remetem-nos directamente para uns Brocas Helm ou Manilla Road (e não será estranho que o vocalista destes últimos, Mark Shelton, contribui em três canções). Ou seja é Epic Metal, ou True Metal, ou lá o que queiram chamar, eu cá só sei que é da mais excelente qualidade. Ouvir este disco com atenção é ser transportado para outra era de facto, vestir umas peles e pegar num espadeirão. Heavy metal em todo o seu esplendor e glória, sentimento e tripas!

“Death of the Gods”: http://www.youtube.com/watch?v=_KkrtMFMRHc


#2. GRAND MAGUS – “Iron Will”



Um trio à maneira e à antiga. Confesso que não conhecia nem o álbum e muito menos a banda. Quando ouvi fiquei abismado. Muito bom. Muito bom mesmo. O vocalista J.B Christoffersson, também vocalista dos não menos interessantes Spiritual Beggars, empresta a sua voz a um álbum muito forte, cheio de influências do passado, mas de forma alguma “ultrapassado”. Rock, Doom, NWOBHM, tudo contribui para fazer deste álbum uma pérola surpreendente em 2008. O que achei mais interessante neste belo disco foi a aparente simplicidade do mesmo, mas uma simplicidade que nos apanha desde o primeiro segundo quando as guitarras de "Like The Oar Strikes the Water” entram, passando pelo calmo instrumental "Hövding", que dá lugar a uma das melhores canções do álbum “Iron Will”. Enfim, em boa verdade, todas são excelentes, é impossível destacar só uma. Canções simples, mas épicas ao mesmo tempo, viciantes mesmo.

“Hovding+Iron Will”: http://www.youtube.com/watch?v=B8O6UD3aRAs


#1. AMASEFFER – “Slaves for Life”



Nem sei que diga realmente. Sim, talvez nem seja um disco de heavy metal…ou, pelo menos, só de heavy metal. Também há rock progressivo, world music, música oriental, música israelita….. Pois, são uma banda israelita que decidiu escrever uma obra em três tomos, do qual este é o primeiro, dedicada ao chamado Êxodo do povo judeu do Egipto. Sim, a história do Moisés e companhia. Amaseffer, ou Ah Há’Sefer, hebreu para povo das sagradas escrituras.
Como vocalista principal conseguiram o impecável Mats Léven e ainda a ajuda de Ângela Gossow e de Kobi Farhi (voz da outra grande banda israelita Orphaned Land”). Depois rodearam-se de uma vasta plêiade de músicos e vozes convidadas, responsáveis pelo ambiente, som e cores orientais que este álbum tem em grande quantidade. A música, essa, só tem um nome: soberba. Perdi a conta às vezes que ouvi este disco. Nem sei que mais diga realmente.

“Zipporah”: http://www.youtube.com/watch?v=3GNAuOW46_E

“Wooden Staff”: http://www.youtube.com/watch?v=twbBdlM-feQ







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sábado, janeiro 17, 2009

Heute

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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Top20Movies

Este ano faço o gostinho ao dedo e à mania das listas. Porque não? "Got nothing better to do", lá dizia o Mustaine. Eis portanto o meu top20 de filmes de 2008. Menos rígido, porque não me apetece destacar só 10, e também porque é capaz de um ou outro não serem de 2008, mas que se lixe, estrearam em 2008, ou eu vi-os em 2008. Na sua maioria já foram devidamente comentados por aqui, portanto, isto é só para meu especial prazer e sentimento de resumo. So....

#20. The Darjeeling Limited



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Hmmm...devo ter-me distraído...

#19. Cloverfield



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My two cents

#18. California Dreamin'



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My two cents

#17. We Own the Night



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My two cents

#16. La Habitación de Fermat



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My two cents

#15. Persepolis



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My two cents

#14. Iron Man



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My two cents

#13. Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street



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De certeza que houve alguma razão que me impediu de escrever...

#12. Hellboy II - The Golden Army



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My two cents

#11. Burn After Reading



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My two cents

#10. Body of Lies



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Ai a preguiça!

#9. My Blueberry Nights



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Devo ter ficado atarantado

#8. Cashback



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My two cents

#7. Wall.E



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My two cents

#6. Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull



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My two cents

#5. Juno



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My two cents

#4. Into the Wild



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My two cents

#3. In Bruges



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My two cents

#2. Dark Knight



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My two cents

#1. Hunger



IMDB
My two cents

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Top10 2008 unMetal

Já sabia que tinha ouvido muita música este ano. Mas de facto surpreendeu-me ser capaz este ano de organizar um top10 extra heavy metal, o género que normalmente domina. E dominou também em 2008, tanto assim é que o top10 heavy metal está a ser algo difícil de fazer. Portanto, para já, aqui vai o meu top10 non metal.

#10. THE HOLD STEADY - "Stay Positive:



Banda americana, de Brooklyn, se bem me lembro. É o quarto álbum e é muito bom. A música é rock e é, sem sombra de dúvidas, música americana. Rock indepentende americano, para quem gosta de labels. A composição é, depois de dada a devida atenção, mais complexa do que aparenta. Cada canção é uma história em si, um hino, uma trova que encontra ainda algumas raízes num Dylan ou num Springsteen, mas com mais guitarras. A voz do vocalista Craig Finn é estranha a princípio, mas depois entranha-se. Só a "Constructive Summer" que abre o álbum é fantástica ao dar o tom do que se segue: "Me and my friends are like/the drums on "Lust for Life"/we pound it out on floor toms/our psalms are sing-a-long songs".

"Stay Positive": http://www.youtube.com/watch?v=FY3V4ObYRsA


#9. TRAVIS - "Ode to J. Smith"



E ao sexto álbum, eis que os Travis se fartaram de escrever aquelas melodias memoráveis e desgraçadamente pop que sempre lhes ficara tão bem, e se viraram para o rock, para uma abordagem mais agressiva, mais guitar driven e ecreveram umas melodias agradáveis e desgraçadamente pop/rock que lhes ficam a matar. Pois é. Um álbum curto, gravado em poucos dias, mais directo e in your face. Desde o primeiro álbum que os Travis não eram assim tão "eléctricos"A mudança foi relativamente grande, mas estes gajos, para mim, ainda não fizeram asneira. São excelentes compositores, excelentes músicos e têm ar de gajos porreiros e simpáticos. E low profile também. Mais outra coisa que lhes fica bem.

"J.Smith": http://www.youtube.com/watch?v=W8ufd7HcKkc


#8. ELBOW: "The Seldom Seen Kid



A primeira vez que ouvi falar destes fulanos, foi através de (mais) uma comparação com os Radiohead. Assim, também estes britânicos, contemporâneos dos Radiohead, seriam, afinal, também eles, filhos do "The Bends". Sinceramente não acho que baste uma voz suave e algumas descargas de electricidade enre alguns momentos mais calmos, para comparar uma banda aos Radiohead. Ok, estou a ser mau, reconheço que há um pou outro ponto de contacto. Mas a verdade é que, bem vistas as coisas, são duas bandas tão diferentes. Os Elbow continuam a progredir com este quarto álbum...e é-me difícil encontrar comparação cabal para a música deles. Eu gosto. Basta isto, pronto.

"The Bones of You": http://www.youtube.com/watch?v=-DwFjqt-Wk4


#7. BOSS MARTIANS - "Pressure in th S.O.D.O."



Rock! É tão simples como isso. Os Boss Martians têm aqui canções tão orelhudas, mas ao mesmo tempo tão 'loud' e 'catchy' que só apetece ir aumentando cada vez mais o volume. "Pressure in the Sodo" está repleto de guitarras, solos, canções memoráveis e muita energia, do princípio até ao fim. Simples e directo, sem appelo nem agravo. Aqui e ali pontuam umas teclas e uns sintetizadores, mas a força está nas guitarras, na bateria e na voz. "Mars is for martians" foi escrita de propósito pelo Iggy Pop, que acabou por decidir participar ele próprio na canção em dueto. É bom sinal.

"Mars is for martians": http://www.youtube.com/watch?v=SJ9ZFP9K86E


#6. The Killers - "Day & Age"



Pop. Sem qualquer vergonha, pop assumidíssima. Encontramos traços de Roxy Music, Pet Shop Boys, U2, entre outros. Mas, inegavelmente, com uma personalidade muito própria e singular. Para banda americana, e de Las Vegas, ainda por cima, soam tão britânicos que se diriam dessa nacionalidade mesmo. O single de avanço "Human" é daquelas pérolas pop de que uma banda se pode orgulhar. Infelizmente é de tal maneira assim que as rádios nacionais se têm dedicado a "matá-la" com um incessante e repetido airplay. Não retira qualidade à canção, mas que pode acabar por chatear, pode (ver The Story da Brandi Carlisle). No meio de toda esta vasta panóplia de influências dos 80's, é a última canção que realmente se destaca. Os quase 8 minutos de duração, a parede de guitarras e o ambiente doom e gloomy, tornam "Goonight, Travel Well", o verdadeiro marco deste álbum.

"Human": http://www.youtube.com/watch?v=d97XFGR_IP0


#5. THE GASLIGHT ANTHEM - "The '59 Sound"



Americanos, de New Jersey e este é o segundo álbum. Responsáveis pelo reavivar do chamado "Jersey Shore Sound", do qual Bruce Springsteen talvez seja o mais representativo. Como tal, a temática da música tem um feeling algo industrial, dedicado ao homem comum, o trabalhador, o underdog e à vida quotidiana. A isto adiciona-se umas pitadas de punk rock (Joe Strummer e Manic Street Preachers de início de carreira) e obtém-se um álbum brilhante, dito o "Darkness on the edge of town" do novo milénio. Eu diria mais o "Born To Run", pois ambos estão pejados de uma energia quase impotente, uma energia que está contida, mas prestes a explodir. Aqui sim, encontramos a veia de contadores de histórias, de trovadores urbanos que encontrámos em Springsteen. Vi-os pela primeira vez no final de um "Conan O'Brien". Pergunto-me o que terá achado deles Max Weinberg.

"The '59 Sound": http://www.youtube.com/watch?v=bOBb13yDnz


#4. THE VERVE - "Forth"



Ei-los de volta. Reunidos pela segunda vez. Os Verve nunca foram propriamente mais uma banda de brit pop, e com este álbum provam esse facto inegavelmente. Em boa verdade de pop este álbum não tem assim muito. Sim, é claro que não se tornaram uma banda electrónica ou de heavy metal, ou apenas rock. Há uma amálgama que se espalha pela longa duração destes disco (demasiada segundo alguns) e pelas canções, as quais, na sua maioria, ultrapassam a marca dos 5/6 minutos. De facto, é difícil qualificar este álbum. Tem elementos pop, tem elementos rock, tem elementos psicadélicos, orquestrais etc etc. Em geral é um álbum bastante dark e soturno. Quer nas letras, quer nas músicas. O single inicial, "Love is Noise", cumpre efectivamente a função: é uma canção rock, relativamente rápida e com o necessário para "prender" e atrair a atenção. Mas em geral o resto do disco é mais mid tempo e hipnotizante.

"Love is noise": http://www.youtube.com/watch?v=PmRJo8RQ5sA


#3. THE PINEAPPLE THIEF - "Tightly Unwound"



Parece que os TPT também são comparados frequentemente aos Radiohead. Até certo ponto compreendo a comparação. A voz de Bruce Soord é, em determinados momentos, parecida com a de Thom Yorke; a música comporta também aquele elemento "progressivo" (no sentido de evolução) que foi apanágio (e ainda é, embora já não muito do meu agrado) dos Radiohead, culminando no brilhante "OK Computer". Mas acho que são estes os únicos pontos de contacto: alguns tons vocais parecidos e a atitude perante a criação musical. Fora disto, os TPT mostram aqui (e confesso não conhecer os álbuns anteriores) uma postura arrojada, mais próxima duns Porcupine Tree e No-Man. Ou seja, uns Radiohead menos preocupados em manter uma estrutura pop, e mais descontraídos em deixar a música discorrer e fluir livremente. Daí as raízes prog. Muito interessante, aqui e ali de audição difícil, mas sem deixar de manter uma preocupação de coerência melódica e uma mistura eficaz de descargas eléctricas e momentos acústicos.

"Shoot First": http://www.youtube.com/watch?v=gN_f-ejifd8


#2. THE GUTTER TWINS - "Saturnalia"



Do Sr. Greg Dulli dos Afghan Whigs pouco conheço, a não ser a sua participação na banda sonora do "Backbeat", filme dos anos 90 sobre o início da carreira dos Beatles eem especial sobre o 5.º Beatle, Stuart Sutcliffe. Gosto da voz sim senhor. Quanto ao outro "twin", bom, Mark Lannegan dispensa apresentações. Os Screaming Trees são mais do que suficientes para apresentar o homem. Não contente com isso, ainda participou em três discos dos Queens of the Stone Age, "Songs For The Deaf" incluído. E continua a ter a voz certa no momento certo. Inicialmente duvidei da combinação, mas depois de ouvir é inegável que funciona a 100%. As duas vozes, diferentes, servem de contraponto uma a outra e, por vezes, de complemento. O que é uma boa surpresa. Rock muito in your face, muito introspectivo por vezes e algo duro noutros momentos. Aliás, o ambiente musical é, mais do que nunca, facilmente adivinhável só de olhar para a capa: uma rua deserta, abandonada debaixo de um céu negro e ameaçador. Sim, está em segundo lugar, mas poderia estar perfeitamente em primeiro. Passa-se apenas que o n.º1 teve direito a mais audições, pelo que aí vem ele.

"Idle Hands": http://www.youtube.com/watch?v=bOBb13yDnzo


#1. THE LAST SHADOW PUPPETS - "The Age of the Understatement"



Trabalho fácil. É só fazer copy/paste do que escrevi em Novembro. E outros que me surpreenderam muito este ano. Estes foram recomendados pelo Zé Pedro. The Last Shadow Puppets. Super banda, ou melhor, super duo composto por Alex Turner dos Arctic Monkeys e Miles Kane dos The Rascals. A atenção é, naturalmente, atraída para o primeiro nome, mas quem já ouviu The Rascals penso que pode presumir que o Kane também é uma força compositora enorme neste duo.
Mas já as diferenças entre estes Puppets e os Artic Monkeys são muito maiores.
Ironicamente este disco é tudo menos um "understatement". Com orquestrações elaboradas, texturas complexas e acordes soturnos é um álbum de pop sinfónico muito ambicioso e por vezes mesmo "over the top". Respira anos 60 por todos os poros, misturado eficientemente com um ambiente "James Bondiano" (especialmente na faixa título). No fundo é disso que se trata, de uma viagem nostálgica, sem vergonha de se assumir como tal, com ecos do universo de Scott Walker e recantos interessantíssimos providenciados pelos arranjos grandiloquentes de Owen Pallett (pois, o dos Arcade Fire).

"The Age of the Understatement":

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terça-feira, janeiro 13, 2009

Are you a rocknrolla Mr. Ritchie?


Maybe not anymore.
Anyway, a crítica escrita ali pelo vizinho Johnny "4NoReason" está, em geral de acordo com a minha. Com a diferença fundamental de eu não ir com grandes esperanças ou expectativas para este filme.
Depois de visto, sim, é verdade, o homem nunca mais conseguiu repetir os brilhantes "Lock, Stock and Two Smoking Barrels" ou "Snatch". O casamento com a Madonna fez-lhe, declaradamente, mal. Este "RockNRolla" é uma tentativa clara de recuperar o espírito daqueles dois filmes. Aliás, é bastante sintomático disso o facto de ambos os filmes constarem do cartaz deste novo.
O filme não é mau na minha opinião. Vê-se bem, tem alguns bons momentos, o humor continua lá e a acção também. Mas fica sem dúvida uns furos abaixo daqueles dois filmes. Não voltei a ver mais nenhum filme do Ritchie desde o "Snatch", mas constou-me que não eram nada de jeito mesmo (Ai Madonna do caraças!). Este "RockNrolla" volta então a pegar nas mesmas premissas conhecidas, a saber: em Londres uma série interminável de pessoas, pertencentes cada um ao seu grupo ou 'tribo' entram em choque uns com os outros graças a uma série de mal entendidos, coincidências e confusões generalizadas. Neste caso, gangsters londrinos, a mafia russa, um bando de junkies, um grupo de bandidos de meia tijela, uma contabilista aborrecida com a vida, dois russos aparentemente indestrutíveis e um quadro que muda de mãos a toda a hora.
Sim, já vimos isto sob uma forma ou outra. Porém, desta vez falta ao filme o ritmo desvairado e quase histérico dos outros. Talvez o Sr. Ritchie tenha amolecido com a idade. Talvez o divórcio lhe faça bem. Até lá, é esperar pela sua versão do "Sherlock Holmes". Seja como for, sem grandes expectativas e, acima de tudo sem ver os outros dois filmes há muito tempo, este "RockNrolla" até dispõe bem por duas horas. Não dei o meu tempo por perdido.

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sábado, janeiro 10, 2009

Ainda "Metal:A Headbanger's Journey"

"Metal confronts what we'd rather ignore, it celebrates what we often deny, it indulges in what we fear most, and that's why metal will always be a culture of outsiders. Ever since i was 12 years old i've had to defend my love for heavy metal against those who say it's a less valid form of music. My answer now is that either you feel it or you don't. If metal doesn't give you that overwhelming surge of power and make the hair stand up on the back of your neck, you might never get it. And you know what? That's ok because, judging by the 40.000 metalheads around me we're doin' just fine without you".

Sam Dunn



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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Son of Rambow



"Son of Rambow" é mais um filme delicioso condenado a passar despercebido. Não só porque é um filme britânico sem estrelas de renome e por ser um filme em que as personagens são na sua maioria crianças, mas também por ter um título à partida pouco apelativo e um cartaz que, enfim...nos remete para um filme de, vá lá...digamos, "palhaçada".
Mas não. Tem alguma palhaçada, mas no bom sentido. Não é uma comédia, mas tem muita piada nalguns momentos.
O filme passa-se nos anos 80, era do auge do VHS, onde dois jovens 'outsiders', um por ser o típico 'troublemaker', quase delinquente, o outro por provir de uma família extremamente religiosa e castradora, acabam por se encontrar e formar o proverbial 'odd couple', uma amizade improvável.
O primeiro, Lee Carter, pretende fazer um filme caseiro e participar num concurso. O segundo, Will Proudfoot, proibido de ver TV, fica maravilhado quando inadvertidamente vê o "First Blood", primeiro filme do Rambo. Nesse novo mundo e na ideia de fazer uma sequela - o Filho de Rambow (a gralha é deliberada e parte da piada), Will, órfão de pai, encontra o escape perfeito para o cinzentismo da sua vida extremamente limitada pela seita religiosa a que a família pertence.
Um duo improvável, mas uma equipa perfeita e que acabam por ir arregimentando mais colegas da escola para participar na tosca produção, incluindo um extravagante e inenarrável estudante de intercâmbio francês.
Tudo isto poderia desaguar numa comédia de Domingo à tarde na TVI, repleta de humor colegial e sátira aos anos 80 (aquelas roupas e penteados...meu Deus), mas inteligentemente evita esse caminho e não cai na pieguice fácil e lamechice pegada.
Todo o filme é atravessado por um bom humor contagiante, por alguma tristeza e por uma energia e vigor completamente cativantes. No fundo é simples, é um filme sobre a amizade e a lealdade, sobre o crescimento e aprendizagem.
Muito interessante o filme sim senhor, e a transposição para o ecrã de alguns dos devaneios desenhados de Will funcionam terrivelmente bem. Ou não fosse o filme realizado por Garth Jennings da dupla Hammer & Tongs, responsável por vários videoclips excelentes, entre eles o brilhante "Coffee & TV" dos Blur.

Soube bem, especialmente depois de "Hunger" (pela segunda vez) e de "Waltz with Bashir".





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quinta-feira, janeiro 08, 2009

Waltz with Bashir

E eis um filme terrivelmente actual ainda hoje, embora se reporte aos idos de 1982. Agora que Israel voltou a entrar pela Faixa de Gaza a dentro, de armas e bagagens, parece estranhamente adequado recordar a guerra do Líbano de início dos anos 80. Curiosamente outra invasão levada a cabo para exterminar terroristas, palestinianos naquela altura.
É um filme/documentário auto-biográfico e auto-exorcista para o seu autor e realizador, Ari Folman, que, em 1982, era um soldado integrado nas forças invasoras de Israel. Muitos anos depois encontra um colega da altura que lhe relata um terrível pesadelo que o atormenta, proviocado pelas experiências da Guerra do Líbano. Folman dá-se então conta que não tem qualquer memória desse período e, a conselho de um amigo, inicia uma viagem ao encontro de outros colegas e amigos desse tempo, de forma a tentar reconstruir o seu passado e memórias. Mesmo tendo receio do que poderia vir a descobrir sobre si mesmo e sobre o papel que desempenhou na guerra e, em especial, nos infames massacres nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila.
O Bashir do título é Bashir Gemayel, líder dos falangistas cristãos, eleito presidente e cujo assassínio leva à retaliação desta facção e aos massacres de refugiados. Os Israelitas, apesar de não terem "puxado o gatilho" foram considerados indirectamente responsáveis pelos actos genocidas. E o documentário, felizmente, não adopta uma atitude de lavagem nem de aberta acusação. Apenas relata o que se passou.
Um filme incómodo e perturbador de facto, mas que nos prende a atenção e a respiração desde o minuto inicial. A animação foi uma escolha acertada, e esta animação em especial é talvez das mais vivas e artísticas do novo milénio, privilegiando as sensações e impressões em vez da pura perfeição maquinal. Excelente.



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quarta-feira, janeiro 07, 2009

terça-feira, janeiro 06, 2009

a l o n e

segunda-feira, janeiro 05, 2009

domingo, janeiro 04, 2009

METAL: A Headbanger's Journey

Sean Dunn is a 34-years old anthropologist who wrote his graduate thesis on the plight of Guatemalan refugees. He's also a lifelong metal fan. After years of studying diverse cultures, Sam turns his academic eye a little closer to home and embarks on an epic journey into the heart of heavy metal.
His mission: to try and figure out why metal music is consistently stereotyped, dismissed and condemned, even while the tribe that loves it stubbornly holds its ground - spreading the word, keeping the faith and adopting the styles and attitudes that go way beyond the music.
Sam visits heavy metal landmarks as far as flung as L.A.'s Sunset Strip, the dirty streets of Birmingham and the forests of Norway. Along the way the two sides of Sam - the curious anthropologist and the rabid fan - collide, as Sam explores metal's obsession with sexuality, religion, violence and death, meets his heroes, and discovers some things about the culture that even he can't defend.
Part social document, part celebration of a misunderstood art form, this docummentary is the first of its kind: a chance for metal fans to speak out and a window into a culture that's far more complex than it appears.



Official site: http://www.metalhistory.com/

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0478209/

Para além disto, encontrei-o finalmente, e por acaso, numa das prateleiras da Fnac. Fixe!

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sábado, janeiro 03, 2009

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Pride Tiger

E boas bandas continuam a aparecer nos dias que correm. É preciso mesmo procurar...porque realmente, as rádios não servem para nada. E eis aqui uma bela canção rock/pop, com ecos de Thin Lizzy e dos roarin' seventies. Se isto não é material para as rádios não sei de nada mesmo....






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quinta-feira, janeiro 01, 2009

2009