quinta-feira, março 12, 2009
quarta-feira, março 11, 2009
Australia
Há dias assim. Estava no Metro a caminho do carro e depois para casa, quando no banco ao lado reparei num folheto dos cinemas City. Folheei-o para me distrair quando reparei que o "Australia" ia a uma hora simpática e acessível no Campo Pequeno. E porque não? Já praticamente tinha desistido de o ver, mas afinal, a ocasião proporcionou-se e lá fui, esperando ser praticamente a única pessoa na sala. Mas não, havia bastante gente, o que não deixa de ser estranho pois já está em exibição há tanto tempo e nem sequer ganhou um óscarzito acho.
Mas siga.É um filme interessante sem dúvida, mais pelo que representa do que aquilo que é, se assim se pode dizer. É um filme "à antiga" que vai buscar coisas aos Westerns ("Rio Bravo" é a a referência fundamental) e a tantos outros géneros e filmes, como por exemplo, "África Minha", "O Feiticeiro de Oz", "Dotor Jivago" e, acima de tudo, "E Tudo o Vento Levou". É um filme de guerra, um western, um romance, um drama, um filme político-social e pintalgado de elementos exóticos, mesmo esotéricos, um filme sobre aprendizagem, em suma, tudo e mais alguma coisa.
Ou seja, é uma salada monumental, com os ingredientes suficientes para acabar numa tragédia. Mas não. Só mesmo Baz Luhrman para conseguir "sacar" este filme. Não só o homem decide ir no sentido oposto aos anteriores "Romeu+Juliet" e "Moulin Rouge" (não vi o "Strictly Ballroom"...ainda), realizando um filme clássico em todos os aspectos, como não se contenta em fazer apenas UM clássico. Açambarca elementos de vários filmes clássicos. E essa salganhada que, ao princípio pode soar estranha e condenada ao fracasso, acaba por resultar muito bem! Ou seja, debaixo de uma capa de classicismo, acabamos por encontrar ainda os elementos que caracterizam a "loucura" habitual dos filmes de Lurhman. Quase como que uma afirmação da sua personalidade. Certo, um filme clássico até à medula, mas "deixa-me cá meter o meu carimbo". É esse uso indiscriminado de vários elementos clássicos que o torna num objecto tão estranho como os filmes anteriores. Porém a homenagem ao cinema clássico e ao seu poder e essência surge aqui como verdadeiro ponto fulcral do filme.
Porque sim, acho que é isso mesmo o objectivo final do filme. Mais uma vez é de louvar. Sim sim, já sei que certas e determinadas correntes pensam que o cinema enquanto obra de arte deve ser vanguardista, artístico, deve ser complexo e sujeito a interpretações dúbias. Senão não vale a pena. Não posso estar mais em desacordo. O objectivo do cinema é contar uma história caraças! Se ela for bem contada e transmitir ideias e/ou mensagens (e não as impuser) e cada um as receber e interpretar como quiser, então já é um bom filme.
É esse o intuito de "Australia". Sim, um filme gloriosamente excessivo, épico e pomposo. Um filme que pretende arrebatar por completo o espectador a todos os níveis, um filme larger than life que usa e abusa dos grandes planos e dos wide open spaces, mas que ao mesmo tempo coloca toda esta "parafernália" ao serviço do simples e velhinho poder narrativo do cinema. E pretende que o espectador simplesmente se deixe encantar por este poder. Aliás, o aspecto de "storytelling" é mais do que declarado uma vez que o narrador da acção é um jovem aborígene, Nullah, um "creamy", meio branco, meio aborígene. E contar história (e cantá-las) é a essência da tradição oral aborígene.
Portanto, sim, vale a pena ver este filme. E no cinema, em grande ecrã. As paisagens são realmente de tirar o fôlego (percebo porque se diz que este filme fez muito pelo turismo na Austrália) e o par amoroso é extremamente credível, apesar de, discutivelmente, "aclichesados". Mas se é um filme 'à antiga' assim tem de ser. Muita acção, aventura, drama e amorrrrrr, mas raramente vi mencionado um dos pontos que mais me pareceu fundamental no filme: a cultura aborígene e a política de segregação racial que perdurou na Austrália até mais de metade do Século XX. SIm, saí de lá com vontade de ir ouvir Midnight Oil. Ehehe.
.
terça-feira, março 10, 2009
The Wrestler
O rapazinho Rourke é, e sempre foi a meu ver, um dos maiores canastrões do cinema (o próximo Marlon Brando? Tenham lá santa paciência. Afirmações típicas dos excessos dos anos 80) que se deixou levar por ilusões de grandeza até cair, literalmente, na sarjeta. Quanto ao “wrestling”…enfim. Acho idiota. Acho absurdo. Acho ridículo. Sim, reconheço que aqueles brutamontes são verdadeiros atletas; reconheço que aquilo não é pêra doce de se fazer; e, sim, reconheço que são bons “actores” ou entertainers. Mas o espectáculo em si é uma parvoíce. Lamento.
Depois de ver este “The Wrestler” em que estado ficam aquelas conclusões? Bom, primeiro, concluo que o Wrestling ainda é mais idiota do que pensava. O castigo que aqueles homens aplicam aos seus próprios corpos roça o inimaginavelmente estúpido. Tudo em nome do espectáculo. Mas pronto, ok, isso é lá com eles.
Em segundo lugar, o Mickey Rourke é capaz de continuar a ser um dos maiores canastrões do cinema. MAS, tem aqui o papel da sua vida. E isto é dito o mais literalmente possível. Chega a ser assustador. Basta saber um pouco do percurso de ascensão e queda deste homem, mesmo que apenas em traços largos, para ser impossível não concluir que, basicamente, ele está a interpretar-se a si próprio naquele filme. A ascensão e queda do ídolo do wrestling dos anos 80 até à decadência final e completa 20 anos depois, emula na perfeição a própria carreira do actor, que, aparentemente, perdeu o comboio algures e quase deitou tudo a perder na vida. O “Sin City” de Rodriguez/Miller recuperou-o para desempenhar o papel de um bruto disforme, num papel mais físico que psicológico, e agora Aronofsky dá-lhe o que faltava: um bruto disforme mas com humanidade, densidade psicológica palpável, emoções e sentimentos.
Sinceramente não sei o que pensaria do filme se ele não contasse com Rourke no principal papel, ou seja, se ao vermos o filme não levássemos esta bagagem toda, este background dado pelo próprio actor, o qual está, visivelmente engajado numa verdadeira catarse da sua própria vida e erros. Não é portanto, à toa que Aronofsky lutou com unhas e dentes para que Rourke ficasse com o papel, quando os estúdios pressionavam para que fosse Nicholas “Olhem, para mim, só tenho uma expressão” Cage a ganhar o papel.
E fez bem em bater o pé. Discutir se o filme seria tão bom se não contasse com Rourke é demasiadamente académico penso. Há que ver o produto final, e o produto final é bom inegavelmente. E deprimente e um pouco triste também.
Randy “The Ram” Robinson é um personagem simpático, pelo qual imediatamente se ganha empatia. E, inevitavelmente, pena. A expressão “caído em desgraça” assenta-lhe que nem uma luva. É um homem que alcançou os píncaros da fama há muitos anos atrás e que, anos depois, se vê praticamente na miséria, velho, cansado e com um ataque cardíaco em cima. Um homem que de repente se vê sozinho na vida e que de repente verifica que tem de lutar pela vida, pelo amor da filha que abandonou e pelo amor da mulher de que gosta. I'm an old broken down piece of meat and I deserve to be all alone, I just don't want you to hate me.
O filme é de uma simplicidade desarmante, tanto que mais parece um documentário do que um filme de ficção. Em suma. É. É um bom filme. Se outro actor faria tão bem ou melhor não sei, mas sei que todo e qualquer elogio ao Rourke é mais do que merecido.
PS. E a banda sonora é do melhor! Ehehehe
Randy 'The Ram' Robinson: Goddamn they don't make em' like they used to.
Cassidy: Fuckin' 80's man, best shit ever !
Randy 'The Ram' Robinson: Bet'chr ass man, Guns N' Roses! Rules.
Cassidy: Crue!
Randy 'The Ram' Robinson: Yeah!
Cassidy: Def Lep!
Randy 'The Ram' Robinson: Then that Cobain pussy had to come around & ruin it all.
Cassidy: Like theres something wrong, why not just have a good time?
Randy 'The Ram' Robinson: I'll tell you somethin', I hate the fuckin' 90's.
segunda-feira, março 09, 2009
hmmm
curiosa pergunta.
fiquei a matutar.
na verdade não sei qual é a resposta.
.
sábado, março 07, 2009
sexta-feira, março 06, 2009
FDX! Watchmen FTW!
Pois. Lá teve de ser. Mesmo sem carro e tendo de andar de Metro e comboio para trás e para diante, não consegui resistir. Tinha de ver o mais depressa possível. Azar, todos têm as suas maluquices, eu também tenho direito a ter as minhas. Há anos a esperar que alguém fizesse disto um filme, e desde há um ano a espumar-me valentemente desde que soube que, sim, iam fazê-lo...Naturalmente que valia o pequeno esforço extra. Até teve o seu momento nostálgico dos tempos de faculdade enquanto acelerava pela Avenida até Entrecampos para apanhar o kimboio.
Pelo que me apercebi aquando da estreia do Indy IV, não há problemas em ir ver filmes no dia de estreia, desde que se evite a primeira sessão nocturna. Mesmo quando se trata de filmes tão antecipados e aguardados.
Essa antecipação deixava-me preocupado. Como disse ao Staffan, I'm also keeping my hopes down, but i have to beat them with a sttick to keep them down.
E então, que tal?
A ver se consigo fazer aqui uma analogia. Foi mais ou menos quando se vai ver uma banda de que gostamos em concerto e constatamos com felicidade que a dita banda é perfeitamente capaz de reproduzir completamente aquelas notas todas que ouvimos no disco. E não só isso, como consegue acrescentar mais qualquer coisa à sua criação. Há um elemento extra que a prestação ao vivo confere à música. Não se trata de uma mera repetição de notas, de um mero "despejo" de canções. Mas sim, verdadeiras interpretações.
"Watchmen" é isso mesmo. a adaptação é perfeita e total. Claro que ajuda ter uma obra feita (A própria graphic novel) que é, praticamente um storyboard. Assim, é com enorme deleite que nós, nerds, vemos a recriação pura e dura em carne viva das imagens que nos habituámos a ver no livro. Exactamente iguais. Não contente com isso, Snyder permitiu-se alguma liberdade e acrescentou outras, não muitas, que realmente se enquadram inimaginavelmente bem (desculpa lá Moore).
Daí pensar que, se por um lado não é preciso ler o livro antes de ver o filme (embora, ainda assim, o livro seja muito melhor pois há ainda bastantes coisas que ficaram de fora), a verdade é que duvido que quem não o conheça possa sentir o mesmo grau de excitação ao ver aquelas imagens finalmente ganhar vida.
Um filme brilhante a todos os níveis. O espírito está lá, sem tirar nem pôr. E isso é que é uma adptação bem feita. E uma excelente opção, escolher actores desconhecidos. É que o filme só parece um blockbuster...porque na verdade não o é completamente. É que uma adaptção fiel da obra original torna difícil fazer cumprir um dos requisitos de um blockbuster, que é o de agradar ao máximo de pessoas. Nitidamente não é esse o objectivo do filme. Pelo que só podemos agradecer.
Nem vou escrever mais. Não vale a pena. Depois de ler a opinião do Filipe Homem da Fonseca no "Salvo Erro" e do Matt Selman no, apropriadamente chamado, "Nerdworld", acho que não vale a pena. Está tudo dito, e bem, ali.
Além disso...reparo agora que já enchi o blog com posts e mais posts sobre "Watchmen". Aqui, aqui, ainda aqui, e..err... aqui... e aqui também e, por fim, aqui. Acho que já chega mesmo! Agora só falta saber quando é que o vou ver novamente!!! Ehehehe. Sim, nerd alert! Felizmente não estou sozinho. Como disse um nerd que se sentou ao meu lado: "Ena, tantos nerds!" E sim, os maiores nerds têm agora um crachat para os identificar!! LOL
.
quinta-feira, março 05, 2009
NERD alert!!! É hoje!
A campanha viral cibernética em redor de Watchmen esteve ao rubro. Se mal posso esperar pelo filme, já estou a esperar por uma edição mega especial do DVD com TUDO e mais alguma coisa! "The Keene Act" em cima é um PSB (public service broadcast) fictício. E serve precisamente para enquadrar o ambiente que se vai encontrar em Watchmen.Em baixo um excerto de um telejornal da NBS com uma reportagem sobre os 10 anos do surgimento do Dr. Manhathan:
E como se não bastasse tudo isto, para além do DVD "Tales of the Black Freighter" ainda haverá o prazer de ver isto editado:
Sim, sou um nerd completo e assumido relativamente a tudo que diga respeito a "Watchmen". É difícil explicar a um "leigo", e pergunto-me mesmo se, para além da expectativa que o filme gera em nós, nerds, e que não gerará, obviamente, em quem não é nerd, pergunto-me se o filme poderá ter o mesmo tipo de efeito em quem não leu o livro. Não, não é necessário lê-lo para ver o filme. Mas depois de anos de admiração pela obra é algo dífil de explicar a emoção de ver isto no cinema. E, ainda por cima e segundo parece, numa adaptação fiel. Será que o consigo ver hoje? Arghhhhh!
.
quarta-feira, março 04, 2009
SS
Inegavelmente este escriba já nos surge imbuído num espírito mais marcadamente romântico, mais clássico e conservador nos termos que escolhe. Inegavelmente também, o conteúdo, sentido e sentimento do que pretendeu expressar surge-nos mais vivo e luminoso. No entanto só ao olho menos treinado escapará o comentário subtil e discreto à tragédia, ao verdadeiro drama humano e sentimental que atormenta o autor: estar apaixonado por um oficial das SS deve ser, decididamente, terrível. Certamente que aquele uniforme preto repleto de insígnias comportará um forte grau de excitação, mas por outro lado, são conhecidos os hábitos menos próprios desses senhores, que nem sempre se compadecem com a actual sociedade. Trágico de facto.
Pronto...fora de brincadeiras, é bonito.
.
terça-feira, março 03, 2009
Tales of the Black Freighter
Alan Moore, não satisfeito em criar uma das, senão a melhor Graphic Novel de todos os tempos, Watchmen, encontrou ainda inspiração e engenho suficientes para incluir em Watchmen uma outra história, sob o formato de uma Graphic Novel também ela, lida por uma das personagens
secundárias da narrativa principal. A história "Tales..." conta a história de um marinheiro sobrevivente ao ataque de um sinistro navio pirata e da sua luta por chegar primeiro à sua aldeia costeira antes do navio pirata. A viagem para lá é repleta de cenas horripilantes. Durante a sua viagem desesperada para casa, o marinheiro é forçado a cometer accções terríveis, mas ditadas pelo agudo sentimento de urgência. E é assim que vai perdendo todo e qualquer pudor à medida que vai avançando, desde usar os corpos putrefactos dos seus companheiros para construir uma espécie de jangada, até cometer variados assassínios de inocentes com base em pressupostos errados. A urgência e o medo de chegar depois do sinistro navio é tal, que a loucura acaba por tomar conta dele ao supor, erroneamente, que chegou tarde demais.Agora...que diabos faz uma história de piratas no meio de uma história de ficção científica e de super-heróis? Aparentemente parece algo deslocado, mas não. É mais um dos pontos que prova que nesta obra prima, tudo, ao mais ínfimo pormenor tem uma razão de ser e está correlacionado.
Antes de mais, sendo Watchmen uma obra de total desconstrução do mito dos chamados super-heróis, é natural que os comics desse mundo versem sobre outros temas, como o horror, a fantasia ou a pirataria. Além disso, num mundo que tem a experiência de super-heróis, as pessoas comuns não se interessariam por ler banda desenhada sobre super-heróis.
Exactamente por isso a imagética dos piratas funciona como um contraponto perfeito ao "mundo
real" de Watchmen. Um contraponto complementar, não confrontativo. O livro é lido por um rapaz num quiosque cujo dono vai lendo e comentando as notícias dos jornais. Tanto a história como as notícias vão caminhando para um fim trágico.Mas mais do que isso...quer no marinheiro, quer no personagem da história principal, responsável pelos mistérios e intrigas existentes (e cuja identidade só se descobre no fim) há a mesma sensação de "o fim justifica os meios". Em ambos há o sacrifício crescente de valores e de humanidade em nome dum bem, suposta e subjectivamente maior. Ambos esperam evitar um desastre a todo o custo, mesmo que para isso provoquem outros ainda maiores. Um erro crasso de julgamento.
O lançamento disto em DVD, juntamente com outros goodies só prova que esta é daquelas adaptações levadas mesmo a sério.
.
segunda-feira, março 02, 2009
A eloquência
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Afinal ainda há fé...
Bem...as más notícias é que já não posso dizer que estive no último concerto dos Faith No More. As boas é que vão voltar este Verão para uma tour europeia. Hell yeah!
"We Care A Lot" @ Coliseu dos Recreios 1998:
Nunca houve banda como esta decididamente. Nem antes nem depois. O que eles faziam era demasiado far out para outros tentarem sequer copiar sem soar a plágio. Foram a banda rock experimental e de fusão perfeita. Juntaram de uma maneira eficiente os mais variados estilos, desde heavy metal, pop, rock, funk, progressive, soul, hip hop, jazz, crooner, etc etc. E surpreendentemente, desta salganhada toda resultava música inigualável. Jim Martin, o guitarrista original já tinha abandonado em 1992 (figura estranha esse gajo), mas ainda souberam lançar dois álbuns fenomenais: "King For a Day...Fool For A Lifetime" e "Album of the Year". Seja como for foi o "Epic" e, acima de tudo o brilhante "Angel Dust" que os consagraram.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Woody Allen FTW!
Uma coisa é certa. Este homem não falha. Ok, ok, há uns filmes consideravelmente melhores que outros, mas a verdade é que mesmo os filmes "não tão bons como isso", são, ainda assim, bons filmes. É que o pior do Woody Allen é, ainda assim, melhor que muita coisa que anda por aí. É um Senhor Realizador e um contador de histórias nato. E, já agora, um génio do 'casting'. Ultimamente o "Match Point" foi um exemplo de excelência total; já o "Scoop" foi um daqueles "não tão bons", mais leve e inócuo, mas ainda assim, um bom filme. Deixei passar o "Cassandra's Dream" infelizmente, mas já me foi recomendado. Seja como for ainda fui a tempo de ver este no cinema. E que belo filme.
Sim, estou em crer que quem não gostava antes do universo Alleniano também não é agora que vai gostar, mas é pena, pois trata-se mesmo de um filme recomendável.
E sim, é verdade que parte de uma série de clichés mais que batidos: turistas americanos na Europa, latinos fogosos e cheios de "pelo na venta", artistas atormentados e caóticos, mulheres que não sabem o que querem, mulheres que julgam saber o que querem, relacionamentos frívolos, relacionamentos apaixonados e relacionamentos 'very uptight' e socialmente aceitáveis.
Porém, todos estes clichés são colocados de forma eficiente e positiva ao serviço da história. E servem na perfeição para ilustrar o ponto fulcral do filme, o qual debate essencialmente, sobre o amor e sobre relacionamentos difíceis, complicados, ou muito fáceis. É um óptimo reflexo do labiríntico Mundo em que vivemos cada vez mais perdidos. Tanto Vicky como Cristina têm certezas: uma do que quer, a outra do que não quer. No fim, todas essas certezas caem por terra, tanto para uma como para outra. Só os personagens de Penélope e Javier Bardem (os quais, aliás, roubam o filme por completo, especialmente a Penélope) mantém-se de início até ao fim, ironicamente, pois à partida parecem ser os personagens mais desequilibrados.
Enfim, muito mais haveria a dizer. Mas de facto, acho que a simplicidade complexa deste filme não se compadece com meras explicações escritas. É um filme simples que lida com motivações e situações realmente complexas e que não serão estranhas ao mais comum dos mortais, pelo que me parece bem, salvo melhor opinião, que se trata de um filme que se vê e absorve e sente, mais do tentar, ingloriamente, explaná-lo em palavras. E tenho dito.



















