Sim...quase de certeza o melhor filme que vi este ano. Desde que li o excelente livro "The Provos: The IRA and Sinn Fein" de Peter Taylor que o Rui me emprestou há anos (e que ando para comprar há algum tempo já) que fiquei interessado no Bobby Sands.
Membro do IRA Provisório ('Provos'), preso em Long Kesh ("The Maze") a prisão onde os "terroristas" eram encerrados, foi Sands quem, em 1981, organizou a segunda e mais radical greve de fome dos prisioneiros políticos do IRA, da qual resultou a morte dramática de 10 homens, na sequência dos "blanket protests" e "dirty protests”. A luta era a do reconhecimento de um estatuto especial dos prisioneiros do IRA, o estatuto de prisioneiros políticos que os distinguisse dos prisioneiros de delito comum. Foi daqui que resultou a famosa frase da Tatcher: "There is no such thing as political murder, political bombing or political violence. There is only criminal murder, criminal bombing and criminal violence. There will be no political status”.
O filme segue assim, os últimos 6 meses de vida de Sands na prisão. Mas para além disso, mostra
a barbárie a que os prisioneiros se sujeitaram quer por vontade própria (“blanket protest” porque se recusaram a vestir os uniformes normais, pelo que apenas tinham um cobertor a servir de roupa; “dirty protests” porque espalhavam os seus dejectos pelas paredes das celas), quer pela própria extrema violência e selvajaria a que eram submetidos pelos guardas prisionais.
Primeiro filme cinematográfico de Steve McQueen (não, não é esse!), mais conhecido pelas suas obras artísticas na fotografia e filme. Este é o seu primeiro filme de lançamento comercial. Segundo o senhor que fez uma pequena introdução antes da projecção (não se apresentou, mas deve ser da organização do Doc Lisboa), a boa notícia é que este filme, se bem percebi, irá ser distribuído comercialmente em Portugal.
Quanto à obra em si, é filmada com uma beleza extraordinária e desarmante. Mesmo as cenas intensas de violência (muito intensas) são filmadas de maneira fantástica e quase apelativa. De uma maneira que nos faz querer desviar os olhos por serem imagens tão fortes (e houve quem não conseguisse de facto), mas ao mesmo tempo olhar e ver a maneira simples como elas nos são transmitidas.
Aliás, é essa a palavra chave do filme: simplicidade. O expoente máximo e belo do less is more. É um filme verdadeiramente épico, grandioso, uma odisseia trágica. Mas filmado com recurso ao mínimo essencial. Não há qualquer tipo de excesso, mesmo as imagens de maior violência são contidas e reduzidas ao essencial. Não há "gordura" neste filme, salvo seja e com o devido respeito.
Bobby Sands aparece-nos pela primeira vez quando é forçado a sair da cela para ser lavado e barbeado à força. O facto de esta ser uma das cenas mais violentas do filme diz muito sobre a habilidade cirúrgica do realizador em mostrar apenas aquilo que interessa, aquilo que é essencial à história. Nada de violência gratuita, apenas a dura realidade, mostrada sem reservas ou segundas intenções. E é esta dura realidade, o saber que "assim aconteceu" que custa mais ao espectador.
O filme, se assim se quiser, pode ser dividido em três partes. A primeira, mais genérica mostra a vida dos condenados nas celas, os espancamentos, a luta diária, a auto-organização, o contacto com o exterior. É a certa altura desta parte que entramos em contacto com Sands, o líder dos prisioneiros. A terceira parte acompanha os últimos dias de Sands, já no hospital, completamente debilitado. E é tão ou mais impressionante que as anteriores cenas de violência ver o estado a que ele chegou (pior ainda, o estado em que o actor se colocou para fazer aquele papel). Ambas são filmadas com uma beleza extrema e com recurso a pouco diálogo e a muito trabalho de câmara.
Ambas estas partes contrastam brutalmente com a peça central do filme, o momento mais
brilhante de um filme brilhante. Se antes e depois temos pouco diálogo, a câmara sempre em movimento e muita violência, física e psicológica, nesta peça central somos confrontados com o exacto oposto: a câmara está fixa, apontada a Bobby Sands e ao padre Dominic Moran sentados frente a frente numa mesa e a contra luz.
E diabos me levem se esta não é das melhores cenas em cinema que já vi, e estas não das melhores actuações que já vi. O diálogo é constante e sem pausas, em contraste com o resto do filme. Os primeiros minutos são estranhos. Ao ponto de inicialmente pensar que os actores estavam desconfortáveis, nervosos, pouco à vontade. Mas não eram os actores, mas sim as personagens que estavam nervosas e desconfortáveis. O tema de conversa era duro e difícil, e assim que finalmente as cartas são postas na mesa, o nervosismo desaparece e pode-se assistir a um diálogo fantástico, enquanto Sands defende os seus ideiais e a moralidade de uma greve da fome, para grande choque e tristeza do seu amigo. Esta é daquelas cenas que nunca se esquecem. Deixa-nos completamente absorvidos e pendurados em todas as palavras que são ditas. De tal maneira que, na altura nem se repara que se trata de um diálogo, de uma cena, fixa, de 20 minutos inteiros! Parecem 5 minutos de tão intensos.
Sim, é dos melhores filmes que vi este ano e nos últimos anos, sem dúvida nenhuma.
quarta-feira, outubro 29, 2008
Talvez o melhor filme que vi este ano.
terça-feira, outubro 28, 2008
Lynyrd Skynyrd
If I leave here tomorrow,
Would you still remember me?
For I must be traveling on, now,
'Cause there's too many places I've got to see.
But if I stayed here with you, girl,
Things just couldn't be the same.
'Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you can not change.
And the bird you can not change.
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.
Bye bye baby, it's been a sweet love. Yeah.
And though this feeling I can't change.
But please don't take it so badly,
'Cause the Lord knows I'm to blame.
And if I stay here with you girl,
Things just couldn't be the same.
Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you'll never change.
And the bird you can not change.
And this bird you can not change.
The Lord knows, I can't change.
Lord help me, I can't change.
Lord I can't change.
Won't cha fly high free bird, yeah.
"A" banda de southern rock. Em 1977, num acidente de avião, perdem, entre outros, o carismático vocalista Ronnie Van Zant. Regressaram 10 anos depois, com o irmão Johnny Van Zant e continuam em grande hoje. Novo álbum para 2009?
segunda-feira, outubro 27, 2008
domingo, outubro 26, 2008
Russian Ark
Bem, já há quase 5 anos que ando para ver este filme. Desde os tempos do saudoso Cine222. Aí esgotou, na televisão perdi-o, e as restantes exibições na Cinemateca foram sempre em dias em que não pude ir. Portanto fui construindo uma bela expectativa quanto a este filme. O que, talvez não tenha beneficiado muito o seu visionamento. Isso e o facto de ser às 22h00 depois de um dia agreste. Mas vamos por partes.
O que me despertou a curiosidade foi o facto de ser o filme do plano-sequência único. O filme de hora e meia feito todo de uma vez, num só take, sem cortes, nem montagens, nem nada. Tudo ali filmado na hora e momento. E em tempo real claro.
O filme tem centenas de actores, embora eu utilizaria antes o termo figurantes. Actores no verdadeiro sentido da palavra, temos dois: o narrador, supostamente o realizador, que nunca se vê uma vez que a câmara segue a perspectiva dele e um tal de "estrangeiro", aparentemente baseado num tal de Marquês de Custine, aristocrata françês que no século XVIII publicou um livro dando conta das suas viagens pela Rússia Czarista.
O que está efectivamente a acontecer não é claro. Mas deduz-se que tudo aquilo é uma espécie de sonho ou alucinação do realizador (há uma alusão a um acidente logo de início...portanto talvez ele esteja morto??), ou seja, acaba por ser uma história bastante onírica que, tal como os sonhos, nem sempre faz sentido. Assim, ambas as personagens passeiam por 33 salas do Palácio de Inverno de São Petersburgo, actualmente mais conhecido como o Museu Hermitage. Em cada uma das salas vão encontrando uma série de figuras históricas da Rússia, dando o mote para que se estabeleça o diálogo entre o narrador e o "estrangeiro", um diálogo sobre o papel da Rússia na história e, principalmente, sobre a sua posição enquanto país e Estado na Europa desde séculos e séculos. O "estrangeiro", françês, tece algumas críticas e considerações à Rússia, no plano político e, em especial no plano social e cultural,enquanto que o narrador, russo, tenta "defender" a sua cultura e herança. Eventualmente o "estrangeiro" acaba por reconhecer o valor da cultura russa, a qual deverá ser preservada para o futuro, aconteça o que acontecer. A ideia da "arca russa" parte daí mesmo, e é o Museu de Hermitage que funciona como a verdadeira arca russa, como o guardião da herança cultural da Rússia.
Durante a hora e meia do filme vemos, entre outras coisas, a apresentação de uma ópera na era de Catarina a Grande, uma cerimónia protocolar na corte do Czar Nicolau I, a vida idílica do Czar Nicolau II e da família, a mudança da guarda real do palácio, o director do Museu preocupado com a necessidade de fazer obras no Museu na era da Guerra Fria e um cidadão desesperado de Leninegrado ocupado a fazer caixões durante o cerco da cidade na Segunda Guerra Mundial.
Tudo isto passa à frente dos nossos olhos, e dos olhos do narrador, juntamente com uma série enorme de obras de arte expostas no Museu, que também dão azo a mais diálogos sobre a cultura russa. Tudo isto acompanhado por três orquestras ao vivo, que vão aparecendo ao longo da "viagem" dos personagens até atingirem o grandioso e majestoso clímax final num luxuriante grande baile com centenas de participantes, supostamente uma reconstituição do último Grande Baile que o Czar deu naquele Palácio, em 1913.
A cena do baile é justamente grandiosa. A maior das três orquestras interpreta músicas de Glinka, enquanto que largas dezenas de casais dançam alegremente e outras tantas centenas observam, conversam, riem, como em qualquer outra festa. A câmara continua a filmar sem um único corte, discorrendo livremente por entre os grupos de pessoas e por entre os casais dançarinos. E é sem dúvida um final grandiloquente e de se ficar sem fôlego. Até a cena final em que a câmara segue os convivas a saírem do palácio e a descerem a grandiosa escadaria é digna de nota, embora seja tão simples como isso: os convidados a abandonarem o salão. O narrador também sai sozinho (o 'estrangeiro' aparentemente ficou conquistado pela Rússia e informa-o/nos que vai "ficar"). A última cena mostra o edifício de tal maneira distorcido digitalmente que parece...uma arca.
É sem dúvida um regalo assistir aos 96 minutos de filmagem, saborear a progressão da câmara que é, no fundo, a nossa progressão pelas salas do Museu (li algures que esta é a visita guiada do Museu mais barata que há). As imagens, a fotografia, a música, o guarda roupa, tudo, mas tudo respira excelência e dá gosto ver e absorver. E nesse sentido é um filme maravilhoso, um prodígio da técnica e de cinematografia.
Mas pouco mais. A verdade é que o forte do filme reside realmente nesta parte mais técnica. Suponho que quem está por dentro das artes cinematográficas consiga apreciar e aproveitar ainda mais este filme; alguém que real e efectivamente consiga perceber total e realmente o que deve ter custado fazer este filme. Quanto a mim, consegui apreciar e admirar esse aspecto até onde pude, mas queria outras coisas mais, ou esperava outra coisa. Ou seja, não sei se ao longo do tempo fui construindo uma expectativa gigntesca em relação a este filme, mas a verdade é que, enquanto filme, enquanto uma obra que quer contar uma história, que quer transmitir alguma ideia ao espectador, devo confessar que é um pouco difícil de seguir. É um filme compassado e contemplativo, porém, nalguns momentos parece que começa a "correr", especialmente quando se encontra alguma daquelas personagens históricas. A ideia que dá é que se passa pouco tempo a observar estas personagenbs históricas e demasiado tempo a falar de pinturas e telas. Parece-me que com tanta majestosidade e luxo enquanto obra visual, acaba por faltar alguma coisa.
No entanto, lá está, enquanto obra visual e cinematográfica vale muito a pena ver e absorver. É, afinal de contas, uma obra única e histórica. Vale a pena realmente. Nem que seja pela curiosidade.
Trailer:
Ballroom scene:
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sábado, outubro 25, 2008
Eagle Eye
E surpreendeu-me o filme. Muito mais do que estava à espera. Sim, é um filme de acção, com as perseguições, explosões, tiros e suspense do costume. A diferença é que está bem feito e tem uma história bastante inteligente (embora, sim, nos obrigue a alguns 'actos de fé'). A apontar a este filme há o facto de não trazer realmente nada de novo e fazer lembrar uma série de filmes e séries, nomeadamente o "Enemy of the State", "I, Robot", "Bourne Trilogy", a série "24" e, sim também, "2001 A Space Odissey".
É natural que isto aconteça. Qualquer filme que lide com o poder da tecnologia, com computadores, inteligência artificial, controlo e vigilância governamental e paranóia, acaba por ser sempre parecido com outro qualquer. A diferença é, como disse, que o que este "Eagle Eye" faz, fá-lo muitíssimo bem. Não tem pretensões de ser mais do que é e o que oferece está muito bem confeccionado. Não é uma 'banhada', ou apenas 'mais um', felizmente.
Trata-se de um filme, no fundo, que volta a reciclar a ideia do Big Brother is watching you (aqui talvez seja mais correcto falar em Big Sister) e reapresenta a questão do que poderá acontecer quando a tecnologia que o Homem tem a seu dispor, começa a ser demais e a ultrapassá-lo e, eventualmente, a colocá-lo em perigo.
Sim, algumas premissas do filme nesse aspecto, são algo fantasiosas. Mas, que diabo, o filme assume-se também como um filme de entretenimento, um bom filme de entretenimento. Pelo que não se deve levar completamente a sério e em termos totalmente científicos. Antes pelo contrário, é um bom thriller, bem feito e que nos deixa interessado no desevolvimento da história até ao fim. Nos dias que correm, isto já é um luxo.
O puto do Indiana Jones safa-se bem. Pode ser que com a idade se venha a tornar um bom actor. E merece destaque também o Billy Bob Thornton a fazer de Tommy Lee Jones a fazer de agente do FBI. lol
A única questão que resta é esta: eye é olho em português. Eagle é águia. Como diabo se lembraram de traduzir este filme por "Olhos de Lince"??? Não percebo.
sexta-feira, outubro 24, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
Tropic Thunder
É um filme audaz na minha opinião, pois é feito no âmago de uma indústria (que deu dinheiro para a sua realização) que é totalmente satirizada. Daí ser um filme duro e sem grandes medidas. Chegou para arrasar. Não concordo com a crítica que li algures, segundo a qual é preciso estar bem por dentro da indústria cinematográfica para 'apanhar' todas as piadas. Sim, é certo que é preciso ter visto alguns filmes que são satirizados ("Platoon", "Apocalypse Now", "Saving Private Ryan", The Deer Hunter, etc etc), e é preciso conhecer alguns actores que são mencionados aqui e ali. Obviamente que assim terá mais piada. Mas conhecer os meandros burocráticos da indústria? Não me parece.
Enfim, vale a pena ver este, nem que seja pela curiosidade. Tem bastante piada. Embora não me tenha rido a 'bandeiras despregadas' sempre, em geral o filme 'massajou-me muito bem o músculo do humor'.
Momentos geniais são, por exemplo, os três trailers e um anúncio a um refrigerante fictícios que servem para apresentar as personagens e o seu background.
Quanto ao Tom Cruise....só vendo mesmo lolol. E vendo com muita atenção, pois algumas pessoas só descobriram que era ele nos créditos finais.
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Carnaby Road
Been waiting so long, I don't know what I've been waiting for
Too much consistency has stopped me in my tracks
Too many reasons why there ain't no turning back
I'm chasing this dream, as hard as it seems
And I've had to understand what it means
Keep pushing on to where I belong
To where I come alive
Goodbye Carnaby Road! - Where I lost my mind
Drove me out on my own - Left it all behind
Now my moment has come - Till the end of time
No more yesterdays - It's just the only way
Only way - Lifetime holiday!
Still running headstrong, but the stones don't break my stride
I've fell to pieces, but I've never lost my pride
Into the jungle of the Greedy and the Meek
Against the powers of the obvious I speak
I'm chasing this dream, as hard as it seems
And I've had to understand what it means
Keep pushing on to where I belong
To where I come alive
Goodbye Carnaby Road! - Where I lost my mind
Drove me out on my own - Left it all behind
Now my moment has come - Till the end of time
No more yesterdays - It's just the only way
Only way, so I pray, I'm going on a lifetime holiday!
I've been waiting so long, I got no place to go
Before I fall to pieces, yeah!
Goodbye Carnaby Road! - I've been chasing a dream
Drove me out on my own - And it's not all that it seems
Now my moment has come - It's a road to nowhere
Too many reasons why there ain't no going back
Goodbye Carnaby Road! - I don't want to stay
Drove me out on my own - So I've gone away
Now my moment has come - Till the end of time
No more yesterdays - It's just the only way
Only way to a lifetime holiday, yeah!
To a lifetime holiday, yeah!
Come on now!
PC69
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quarta-feira, outubro 22, 2008
Burn After Reading
Acho que já o disse uma vez, mas não me importo de voltar a dizer: o "No Country For Old Men" é um bom filme e tal, mas sinceramente, não identifico esse filme com os irmãos Coen. Quando penso no Joel e Ethan Coen, penso no "Arizona Junior", no "Fargo", no "Big Lebowsky", no "Hudsucker Proxy", etc etc. E finalmente, com o "Burn After Reading".
O óbvio aconteceu. O sucesso de "No Country For Old Men", com tantos elogios, significados, interpretações, simbolismos e, claro, óscares, teve o efeito de "Burn After Reading" ter sido recebido como um filme menor, um filme de segunda linha, uma comédiazita em reacção à negritude do filme anterior. Errado. Não só o argumento já estava escrito ainda antes do "No Country..." estrar, como não se trata de um filme menor, e nem sequer de uma comédia. De facto, num certo sentido ou abordagem, até é um filme bastante triste. O que não quer dizer que não provoque algumas valentes gargalhadas.
Há um analista da CIA ( John Malkovich) que se prefere despedir a ser atirado para a prateleira, e que decide escrever as suas memórias reveladoras para fazer dinheiro, enquanto a esposa pediatra (Tilda Swinton) começa a pensar num divórcio para ficar com o dinheiro do casal e eventualmente amancebar-se com o amante, um "marshall" das Finanças (George Clooney) que é casado com uma autora de livros infantis mas dorme por fora com toda a saia que lhe apareça à frente. Uma cópia das memórias reveladoras cai por puro acaso nas mãos de um instrutor de ginásio burro como um calhau (Brad Pitt) e da sua sub-gerente (Frances McDormand) desesperada pelo dinheiro que lhe permita fazer a plástica do seu sonho, uma conversa telefónica origina um malentendido, o analista acha que estão a querer chantageá-lo e é uma questão de tempo até a comédia de enganos revelar a falta de comunicação, o egoísmo e a irresponsabilidade desta gente que quer tão desesperadamente perseguir os seus sonhos que não é capaz de parar para pensar no que está a fazer. (in Cine Cartaz)
Um filme de pseudo-espionagem, um verdadeiro ensaio sobre a estupidez onde ninguém escapa, pois não há uma única personagem desinteressada.Todos os personagens são pessoas solitárias e confusas, mais ou menos estúpidas (o Brad Pitt é um verdadeiro tolinho e o George Clooney é daqueles burros estúpidos que se julga no controlo de todas as situações), que se movem por interesses nada altruístas, gerando mal entendidos atrás de mal entendidos numa espiral de estupidez e burrice quase desesperante. Acaba por ser um filme divertido sim, mas não uma mera comédia. O tom é próprio de uma sátira ao absurdo tão real. E é um tom duro, seco e implacável. Um tom que vai aumentando à medida que o filme desenvolve a sua progressiva dissecação clínica e cruel da estupidez, expondo-a para quem quiser ver.
Por isto tudo, dizer que se trata de um filme menor é um erro tremendo. Sim, é uma comédia sobre a estupidez humana. Sobre a cultura ou a sociedade da estupidez. Sim, faz-nos rir obviamente. Mas lá bem no fundo não se pode deixar de sentir aquele gostinho frio e austero da sátira. Afinal não vivemos numa sociedade repleta de pessoas estúpidas?
terça-feira, outubro 21, 2008
Pile of Doubt
But somehow I've stumbled on
And this wonderland you planed for me
Never felt like home
And the more I tried the more I realized
I don't believe in things I cannot see
I've had enough
Don't you understand I'm half the man?
I've said enough
The life I used to live I have left behind
The pile of doubt you had in me went on to shine
I am over
I am gathered, strong unstoppable
You remember how I used to be
You remember a connection so strong
You remember how sweet it was
You remember only you
But the more I tried the more I realized
I don't believe in things I cannot see
I've had enough
Don't you understand I'm half the man?
I've said enough
The life I used to live I have left behind
The pile of doubt you had in me went on to shine
I am over
I am gathered, strong unstoppable
I don't believe in things I cannot see
I've had enough
Don't you understand I'm half the man?
I've said enough
The life I used to live I have left behind
The pile of doubt you had in me went on to shine
Stein Roger Sordal
segunda-feira, outubro 20, 2008
Little People
"Little people - A tiny street art project. Little handpainted people left in London to fend for themselves"
domingo, outubro 19, 2008
My Enemy's Enemy

Hoje deu para ir ver este, "My Enemy's Enemy", um documentário sobre Klaus Barbie, o oficial da Gestapo, mais onhecido como o "Carniceiro de Lyon".
Mas mais do que isso, mais do que acompanhar resumidamente os feitos infames de Barbie, o documentário mostra a hipocrisia moral e política a que o fim da Segunda Guerra Mundial deu lugar. Dois blocos em confronto, histéricos, histriónicos e permanentemente desconfiados. Se é verdade que a Segunda Guerra Mundial pode, um pouco ingenuamente claro, ser vista como uma batalha fundamental contra o Mal encarnado e personificado, a verdade é que ainda mal tinha acabado e o Mundo já tinha mudado. A hipocrisia dos "fins justificam os meios" (afinal, também uma parte da ideologia nazi) foi adoptada pelos Aliados vencedores, mais concretamente, claro, pelos americanos.
Isto tudo para dizer que o documentário mostra como no final da Segunda Guerra, Klaus Barbie foi ostensivamente protegido pelos americanos, não só pela sua suposta experiência e conhecimentos sobre os comunistas, mas também pela sua confirmadíssima experiência em técnicas de interrogatório e tortura. No meio do histerismo do início da Guerra Fria qualquer coisa valia para deter o maléfico império vermelho. Até dar guarida ao antigo inimigo. Mais ou menos o que os americanos fizeram com os iraquianos na Guerra Irão Iraque, ou com os afegãos aquando da invasão russa do Afeganistão. O inimigo do meu inimigo meu amigo é, lá diz o adágio. É uma grande verdade, mas neste caso, foi levado a níveis de extrema hipocrisia.
Barbie acabou por trabalhar para o CIC, uma espécie de pré-CIA, e quando as coisas apertaram, fugiu, com a ajuda de uma organização católica, comandada por um cardeal do Vaticano, para a Bolívia, onde viveu 30 anos. Os suficientes para se imiscuir na política nacional boliviana, prestar auxílio e aconselhamento variado à polícia secreta, e praticamente prganizar os primórdios de um IV Reich nos Andes. Já para não falar -por não ser confirmado- no auxílio importante prestado por ele na busca, apreensão e morte de Ernesto 'Che' Guevara.
Um documentário impressionante, sobre a frieza dos homens....não só dos que assassinaram indiscriminadamente, mas sobretudo, sobre os que tiveram a capacidade de pôr esses eventos para trás, e trabalhar com tais assassinos.
sábado, outubro 18, 2008
April Wine
Sign of the Gypsy Queen
Lightning smokes on the hillrise
Brought the man with the warning light
Shouting loud "you had better fly"
While the darkness can help you hide
Trouble's comin' without control
No one's stayin' that's got a hope
Hurricane at the very least
In the words of the gypsy queen
Sign of the gypsy queen
Pack your things and leave
Word of a woman who knows
Take all your gold and you go
Get my saddle and tie it on
Western wind who is fast and strong
Jump on back, he's good and long
We'll resist till we reach the dawn
Running seems like the best offense
Staying just don't make any sense
No one could ever stop it now
Show the cards of the gypsy town
Sign of the gypsy queen
Pack your things and leave
Word of a woman who knows
Take all your gold and you go
Shadows movin' without a sound
From the hold of the sleepless town
Evil seems to be everywhere
Heed the spirit that brought despair
Trouble's comin' without control
No one's stayin' that's got a hope
Hurricane at the very least
In the words of the gypsy queen
Sign of the gypsy queen
Pack your things and leave
Word of a woman who knows
Take all your gold and you go
Sign of the gypsy queen
Pack your things and leave
Word of a woman who knows
Take all your gold and you go
Sign of the gypsy queen
Pack your things and leave
Word of a woman who knows
Take all your gold and you go
Banda canadiana formada em 1969, com mais de 20 álbuns e ainda no activo.










