terça-feira, setembro 06, 2011

Captain America


Nos longínquos anos 80, tão em voga agora, cresci a ler as revistas Marvel da editora brasileira Abril que por cá chegavam mais ou menos periodicamente. Vá-se lá saber porquê, o Captain America sempre foi dos meus personagem preferidos. Talvez pela sua origem histórica fortemente enraizada nos anos da Segunda Guerra Mundial e na luta contra o nazismo. Talvez por ser um "super-herói" que não se baseava tanto em poderes sobrenaturais, e possuir um alter ego relativamente interessante, um tipo simples, normal, mas um verdadeiro líder. O uniforme era assim meio brega, admito, as asinhas na máscara eram um tanto ou quanto enfim...bimbas, mas gostava dos variados arcos narrativos pelo qual foi passando, desde a WWII, passando pelos Avengers, SHIELD, Hydra, até à interessante fase de desencanto com o chamado ideal americano (que o levaram a abandonar o tradicional uniforme).
Em 1990 foi feita uma adaptação que aluguei num dos imensos clubes de video que por aí pululavam. Era terrível. Mal feito e mal adaptado, punham o Capitão América na Sicília dos anos 90 a combater a Máfia, chefiada pelo Red Skull, que de red já não tinha nada. E sim, cometeram o erro crasso de dotar o actor de um fato de espuma igualz ao dos desenhos...Se já era estranho nos livros, em filme parecia mesmo...errado.
Felizmente, este novo Captain America não comete nenhum destes erros. A Marvel continua, assim, a fazer adaptações de sucesso e com o cuidado de agradar aos fãs sem descurar o restante público. Assim, o Captain America de Joe Johnston (que já tinha feito um filme assaz agradável com "Rocketeer", também passado nos anos 40, com o nazismo como pano de fundo), revela-se um excelente filme de aventuras, onde a preocupação foi a de fazer um filme com alguma profundidade (a possível num filme de aventuras) e história. É assim que, felizmente, a tónica dominante é posta no alter ego Steve Rogers, mais do que na figura fantasiada. Antes de ser um tipo vestido com uma roupa de cores berrantes, havia o homem, escolhido não pela sua especial preparação física, mas, pelo contrário, pelos seus valores, dedicação e abnegação.
Verdadeiro golpe de mestre e, para mim, a solução perfeita para fazer esta adaptação resultar, foi a opção de colocarem a narrativa em plenos anos 40, anos em que a personagem foi criada. Interessante também, a inclusão na narrativa do verdadeiro propósito da criação da personagem nos idos de 40, ou seja, uma mera figura promocional, de merchandising do Exército, se assim se pode dizer. É aí que o vemos com o uniforme tradicional, uma espécie de bobo/actor que debita as frases comerciais que lhe ensinam. Felizmente também optaram por lhe dar uma versão mais sóbria e justificada do uniforme tradicional (coisa que parece que já não acontece com tanto efeito no futuro "Avengers", mas logo se verá), evitando figuras embaraçosas.
De resto, o Chris Evans, surpreendentemente, consegue credibilizar a coisa e o Hugo Weaving, com mais uma máscara em cima, mostra, novamente, como é um dos melhores actores da actualidade.
Enfim, nada de novo aqui, não revolucionará o cinema, mas que é um filme que se vê com muito agrado, lá isso é. Típico filme série-B, descomprometido, sem pretensões a ser mais do que um filme divertido. bem feito.




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