terça-feira, agosto 09, 2011

Tree of Life


A sério que me apeteceu começar por fazer uma piada fácil e colocar primeiro uma foto de uma árvore seca, morta ou queimada. Seria a minha interpretação da "árvore da vida" que o filme do mesmo nome me sugeriu. Mas é demasiado fácil de facto. E óbvio. E para isso já chega o filme em si. Ainda há uma série de filmes que vi e que não dei aqui conta, mas a verdade é que este "Tree of Life" acabou por facilitar a formação de uma opinião rapidamente...ainda mal tinham passado 30 minutos e já tudo isto me ocorria. Verdade seja dita que receei isto. Não foi à toa que adiei por tanto tempo a ida ao cinema para ver esta "obra prima magistral"...
Enfim...só posso dizer que a memória dum tipo é curta. Demasiado curta. Sim, já tinha bastantes receios, duvidava, mas acabei por dar o benefício da dúvida à coisa. Bastava-me ter consultado aqui o estaminé para ter a confirmação....seja como for, acredito que iria ver na mesma, pois um filme tão elogiado merece alguma atenção... Mas pronto...não mudo em nada o que escrevi...

Em 22 de Maio de 2006:

"Fim de semana acabado em modorra a ver o "The New World", nova obra do Terence Malick, baseado na história da Pocahontas. Grande realizador, de culto, e só para alguns, como se costuma dizer. Sê-lo-á e, de facto, tem-no sido. Infelizmente, neste caso, não me trouxe absolutamente nada a não ser a monotonia e uma sensação geral de desnecessidade".

Em 22 de Fevereiro de 2010 (a propósito de outra estopada chamada "Avatar"):

"...tanto o “The New World” como o “Avatar” são aborrecidos de morte com tanto misticismo e conceitos etéreos e, perdoem o palavreado, tanta lamechice xaroposa pegada. A última vez em que me senti assim foi mesmo com o “The New World”. Não deixa de ser irónico que, no fundo sejam dois filmes iguais. Ambos têm pretensões místico-ecológicas e ambos foram alvo dos mais rasgados elogios pela sua poesia (visual ou não). Pois a mim não me convencem. É muito bonito de ver e tal, mas tanta coisa bonita para os olhos só serve para tapar o que vem a seguir. O melhor é ir ver este filme como quem vai ver um espectáculo visual state of the art, um documentário sobre um planeta, uma floresta distante e aproveitar ao máximo as visões realmente belas que surgem perante nós. É isso mesmo: é um espectáculo visual esmagador, não um filme".

Em relação à nova obra de Malick....o que escrevi aplica-se-lhe nos mesmos termos. Significa isto que achei o "Tree of Life" uma das maiores perdas de tempo da minha vida. Pode ser um bom FILME, mas não é bom CINEMA, se assim se pode dizer. Ou pelo menos, o Cinema que aprecio, e que me dá prazer ir ver ao grande ecrã, não é aquilo. Não tenho a mínima pachorra para ver duas horas e tal de imagens recortadas e coladas umas às outras de forma pretensamente poética, esotérica, religiosa ou mística. Acredito que haja quem tenha gostado muito do filme e que lhe tenha despertado este ou aquele sentimento. Muito bem....assim se equilibra o Mundo. Nem todos podem gostar das mesmas coisas. Acredito que seja um filme "love it or leave it", o que não deixa de ser interessante de per se...mas eu cá, pessoalmente, prefiro deixá-lo de lado.

Achei o filme pretensioso, cheio de si mesmo, repleto de imagens bonitas e majestosas (viva o National Geographic!!), muito bem filmado, belíssima banda sonora....mas não chega para fazer daquilo Cinema como eu gosto. Não tenho paciência para aqueles pseudo esoterismos de vozes off a sussurrarem constantemente e a chamarem pela "mãe" (já no "New World" era só "mooooother, mootheeeeer", aqui metem o resto da família, o pai, o irmão...), não tenho paciência para isso. Não é ISTO que quero ver quando vou ao Cinema. Gosto que me contem uma história. Sou antiquado. A história deste "Tree of Life" seria interessante mas perde-se por completo no meio de tanta imagem de vulcões e nuvens. No meio de tanta vontade de ser profundo, religioso e cheio de significado.

O Brad Pitt continua a confirmar-se como um grande actor. Mesmo a sua postura física e semblante foram uma surpresa. O tipo é brilhante e convincente em todo aquele autoritarismo e austeridade agressiva do pai da família. E mesmo assim, conseguiu a proeza de não exagerar ao ponto de ficarmos a odiar a personagem dele. Excelente actuação, sim senhor. Os restantes actores não acrescentam nada, excepto a actriz que faz de mulher dele, que até tem alguns momentos interessantes. Mas realmente...que diabos está lá a fazer o o Sean Penn? Simples: não está lá a fazer nada....é mais um nome grande e pouco mais.

É um filme desequilibradíssimo. Tem momentos bons, e momentos que, sinceramente me fizeram querer sair. E os momentos bons são sempre aqueles em que o Pitt está em cena. A história daquela família, e a forma como se esta esboçada indicia uma narrativa interessante, mas perde-se por completo no absolutamente desnecessário.
Vi-o no King, e se tivesse intervalo, já não teria voltado. Sinceramente achei o filme um desfilar de patacoadas desnecessárias. Já parece o David Lynch que filma os sonhos que tem....foi o que o filme me pareceu....o tipo sonhou aquilo e pô-lo em filme. Só que o sonho dele não me prendeu minimamente, não é apelativo. Admito que um realizador como o Terrence Malick não faça um filme para o entretenimento ou diversão de todos. Do que conheço dele sei que sempre procurou criar filmes diferentes, difíceis e provocativos e, como tal, fui preparado para isso, mas não foi suficiente, não houve qualquer "click" entre mim e o filme, a não ser os clicks do relógio que nunca mais paravam...
Sim, uma alegoria enorme à origem da vida, quiçá ao sentido da vida, mas...tão óbvia nuns momentos, e tão aborrecida noutros....

Lembra-te para a próxima!



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