quarta-feira, março 09, 2011

TRON: Legacy

TRON é um relativamente obscuro filme da Disney dos anos 80. Penso que passou bastante despercebido por cá, quer no cinema, quer na TV, tendo em conta que raramente passou em qualquer dos canais.
Curiosamente, o meu primeiro contacto com a história foi através da versão romanceada publicada pela Europa-América na colecção de ficção científica Nébula (aquela cujos livros eram maiores que meros livros de bolsos e que, consequentemente, começavam a prender mais a atenção). Obviamente reparei que era um filme e fiquei com curiosidade de o ver. Confesso hoje que não me lembro se o vi na TV, se o aluguei em cassete de video. Provavelmente foi esta última. Sei, porém, que já foi há muito tempo.
E o filme ficou-me, efectivamente, na retina. Era, na altura, um produto estranho, mesmo para os padrões da ficção científica. Nada de viagens espaciais, nada de naves gigantescas. Nada disso. Tudo se passava dentro do computador. Dentro da chamada rede informática existia todo um universo por explorar. E isto quando a internet e o mundo cibernético era apenas uma miragem.
Os jogos de computador e as salas de arcade estavam no seu auge e TRON faz uso disso mesmo. A imagem do filme foi considerada extremamente inovadora, demaisado até para a época, e as famosas motos de luz encarregaram-se de pôr o filme na prateleira dos clássicos de sci-fi apenas conhecidos por alguns nerds, geeks e fãs acérrimos.





E eis que surge, na ComicCon de 2008 um trailer surpresa que foi rapidamente identificado como a continuação de TRON do Século XXI. As imagens e o ambiente eram inconfudívveis, mas foi quando as novas motos de luz fizeram a sua aparição que o público entrou em delírio:





O que na altura se convencionou chamar TR2N, passou a designar-se, dois anos depois TRON: Legacy, e retoma a história de TRON, 20 anos depois do primeiro filme. Jeff Bridges volta ao seu papel de Kevin Flynn, também ele 20 anos mais velho, mas as despesas da acção correm, desta feita, pelo seu fihlo, que, em busca do pai desaparecido há 20 anos, entra também no mundo cibernético de TRON.



E assim está dado o mote para a continuação. Obviamente que o filme é, em termos visuais e de efeitos especiais, um colírio para os olhos. As tonalidades azuis néon transmitem eficazmente um ambiente frio e electrónico. As novíssimas motas de luz e subsequentes duelos são uma maravilha visual, os cenários são grandiosos e uma maravilha de ver. Mas.... Mas o que é certo é que, por mais espectacular que seja e pareça, a verdade é que já não é a surpresa que foi o primeiro TRON. E na surpresa, no mostrar um mundo novo, estava metade do sucesso do primeiro. Desta vez já não me surpreendi e, quer queiramos quer não, já sabemos que os efeitos especiais de hoje permitem aquilo tudo. Da mesma forma que os efeitos especiais algo rudes do Clash of Titans original são bem mais interessantes que os do remake actual, também em TRON os efeitos especiais menos avançados transmitiam um ambiente realmente inovador. O que já não acontece tanto com TRON: Legacy. Infelizmente nem sequer a história desta sequela é assim por aí além interessante. Demasiado complexa a meu ver, demasiados personagens cuja relevância é mínima, demasiado remake, demasiada acção e efeitos.
Em suma, uma filme giro e tal, mas muito aquém do original.
Quanto ao 3D: segunda experiência da coisa e pela segunda vez não fiquei fã.

Ok, ok, já sabemos que muitos filmes feitos há 20 ou mais anos podem agora ser feitos de forma mais espectacular e perfeita. Mas, só isso não chega. My advice: deixem-se de remakes sff.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tron é também a areia para gatos do Lidl

FM