Depois de uns quantos filmes vistos a Contra Luz e outros perfeitamente Dispensáveis, nada sabe melhor do que voltar a ver Cinema propriamente dito, exactamente como se quer e manda a Lei. Cinema bem feito, bem escrito, bem interpretado e com uma história a sério que nos prende desde o intrigante primeiro minuto até ao extraordinário e, acima de tudo, desconcertante final. Assim vale a pena ir ao cinema. Quero um filme que me "puxe" para dentro da história, que me mantenha interessado e intrigado, ao invés de me provocar um indulgente encolher de ombros e a proverbial opinião "até se vê bem". Quero um filme em que tudo, desde as interpretações, a banda sonora, os silêncios, a imagem, a tensão crescente, tudo concorra e convirga numa obra digna de mérito e interesse. E sem recorrer a grandes artifícios, efeitos especiais, dramas complexos e ideias mirabolantes. Comedido, mas bastante "à frente". "The Ghost Writer" é tudo isto em pleno. Finalmente.
Ewan Macgregor é o "escritor-fantasma", um escritor especializado em escrever auto-biografias, contratado para polir e reescrever as memórias de Adam Lang, o ex-primeiro ministro britânico. E "fantasma" é apropriado, pois é um tipo apagado, aparentemente desinteressante edesinteressado compeltamente inopinativo, sem família, sem qualquer laço que o prenda, sem nome sequer.
O timing não podia ser o pior, pois o seu trabalho é perturbado por acusações de crimes de guerra contra o ex-primeiro ministro. Rapidamente se vê envolvido numa complexa teia e intriga. Uma intriga internacional. E esta expressão não é em nada despropositada pois "The Ghost Writer" respira e transpira Hitchcock por todos os poros. Não só na utilização eficiente do típico personagem de Hitchcock, inocente, ingénuo, um tipo normal, arrastado para uma situação de grande tensão, como também pelo uso eficaz de imagens e paisagens algo desoladoras que, sim, fazem lembrar esse magnífico "Intriga Internacional" de Hitchcock. Não há paisagens desérticas, mas as andanças do escritor pela ilha de Martha's Vineyard, debaixo da chuva torrencial, canalizam perfeitamente o mesmo ambiente. Um novelo que se vai desenrolando devagar, sem pressas, mas num crescendo quase opressivo de tensão, até ao grand finale, sem expedientes desnecessários ou distractivos. Não há diálogos a mais, não há cenas sem sentido ou utilidade, mesmo que algumas sejam simbólicas (excelente a cena do empregado chinês a tentar varrer a palha do pátio debaixo de uma grande ventania, até finalmente desistir de tentar "resolver" esse problema, numa espécie de paralelismo com o problema enfrentado pelo escritor). Directamente ao ponto e extraordinariamente meticuloso. Um thriller político sem qualquer falha. E qualquer semelhança com a realidade, nomeadamente as supostas ligações demasiado promíscuas entre o governo Blair e a presidência Bush, não é uma mera coincidência. O final tem a reviravolta algo esperada e a solução para todo o enigma, conforme é de esperar. Mas ainda assim tem a virtude de nos deixar perplexos e siderados por minutos a olhar para um ecrã onde já passam os créditos finais. Brilhante.
Ewan Macgregor é o "escritor-fantasma", um escritor especializado em escrever auto-biografias, contratado para polir e reescrever as memórias de Adam Lang, o ex-primeiro ministro britânico. E "fantasma" é apropriado, pois é um tipo apagado, aparentemente desinteressante edesinteressado compeltamente inopinativo, sem família, sem qualquer laço que o prenda, sem nome sequer.
O timing não podia ser o pior, pois o seu trabalho é perturbado por acusações de crimes de guerra contra o ex-primeiro ministro. Rapidamente se vê envolvido numa complexa teia e intriga. Uma intriga internacional. E esta expressão não é em nada despropositada pois "The Ghost Writer" respira e transpira Hitchcock por todos os poros. Não só na utilização eficiente do típico personagem de Hitchcock, inocente, ingénuo, um tipo normal, arrastado para uma situação de grande tensão, como também pelo uso eficaz de imagens e paisagens algo desoladoras que, sim, fazem lembrar esse magnífico "Intriga Internacional" de Hitchcock. Não há paisagens desérticas, mas as andanças do escritor pela ilha de Martha's Vineyard, debaixo da chuva torrencial, canalizam perfeitamente o mesmo ambiente. Um novelo que se vai desenrolando devagar, sem pressas, mas num crescendo quase opressivo de tensão, até ao grand finale, sem expedientes desnecessários ou distractivos. Não há diálogos a mais, não há cenas sem sentido ou utilidade, mesmo que algumas sejam simbólicas (excelente a cena do empregado chinês a tentar varrer a palha do pátio debaixo de uma grande ventania, até finalmente desistir de tentar "resolver" esse problema, numa espécie de paralelismo com o problema enfrentado pelo escritor). Directamente ao ponto e extraordinariamente meticuloso. Um thriller político sem qualquer falha. E qualquer semelhança com a realidade, nomeadamente as supostas ligações demasiado promíscuas entre o governo Blair e a presidência Bush, não é uma mera coincidência. O final tem a reviravolta algo esperada e a solução para todo o enigma, conforme é de esperar. Mas ainda assim tem a virtude de nos deixar perplexos e siderados por minutos a olhar para um ecrã onde já passam os créditos finais. Brilhante.


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