"Expendable":
adj.
1.Subject to use or consumption: an expendable source.
2.Not worth salvaging or reusing: expendable rocket boosters.
3.Not strictly necessary; dispensable: an expendable budget item; expendable personnel.
n.
Something expendable.
Eis um título que cai como uma luva ao filme a que pertence. O título original, claro. Não que o português não seja suficientemente descritivo mas, convenhamos, não é, de todo, tão eficaz como o título original.
Há uns posts atrás escrevia-se que já chegava de remakes e aproveitamento das ideias dos idos dos anos 80. E, pelo menos, neste filme houve um verdadeiro esforço de criar algo novo, personagens novas, histórias novas. Ou não? Século XXI, meet o filme-chunga. Filme-chunga, meet o século XXI.
A ideia de Stallone é, aqui, pegar no feeling dos filmes de acção dos anos 80 e trazê-lo para o novo século. Para isso até se deu ao trabalho de ir buscar uns quantos actores "esquecidos", embora, na realidade, só Stallone, Dolph Lundgren e Eric Roberts caibam nessa categoria, e, também, já agora, o Arnaldo Xuárzeneger. O Mickey Rourke nunca foi conhecido como actor de filmes de acção e o Bruce Willis foi, quanto a mim, o responsável pelo surgimento dos primeiros filmes de acção realmente bons e interessantes (Die Hard forever). De resto rodeou-se com a nova geração de filmes de acção, nomeadamente o Steve Austin, Jet Li e Jason Statham. Foi realmente pena não ter conseguido apanhar o Chuck Norris, o Steven Seagal e o Van Damme. Aí sim, o feeling chunga seria completo. Consta que o último recusou participar por achar a sua personagem muito pobre. Anda muito fino o amigo belga. E enganado, certamente. Esperar aqui um argumento inovador e relevante ou personagens com profunidade interessante e bem desenvolvidas é o mesmo que esperar um argumento intrincado num filme pornográfico. Não, em "Expendables" não há nada disso. É o típico filme de acção chunga dos anos 80, com os heróis típicos, os amigos-que-viram-inimigos-e-acabam-amigos, os vilões do costume, sejam os omnipresentes ditadores sul-americanos ou os executivos americanos gananciosos (neste caso temos os dois, para obter um efeito ainda maior, supõe-se). O típico grupo reduzidíssimo de comandos de alto nível que invade um país e simplesmetne dá cabo do exército inteiro com apenas uma dúzia de balas, mal sofrendo um arranhão, claro. Há uma espécie de história paralela amorosa cuja relevância ou interesse não se percebe muito bem, a não ser como justificação para mais cenas de pancadaria. E há a consciencialização do personagem principal de que a sua vida de mercenário não lhe tem feito bem à alma, yadda yadda yadda.
Mas tudo isto era expectável, dado o filme que é, e a ideia que lhe subjaz. Porém, o filme não deixou de me desiludir. Stallone perdeu realmente a oportunidade de fazer aqui um grande filme. Teria sido tão, mas tão melhor, se tivesse apostado mais no humor, se tivesse jogado muito mais com a vertente caricatural e estereotipada das personagens e situações. Teria sido muito mais interessante se houvesse no filme mais momentos como os breves minutos em que se junta Stallone, Schwarzenneger e Willis ao mesmo tempo no ecrã. Esse sim, um grande momento do filme, servido por um humor mais ou menos fino e pelas trocas de galhardetes a três a que se assiste então. Ou quando Statham, num momento de tensão, recebe uma SMS no telemóvel. E houve mais oportunidades que se foram desperdiçando, preferindo Stallone fazer um filme de acção que se leva a sério e se pretende que seja levado a sério. É aí que o filme perde interesse para mim. Sinceramente esperava uma maior aposta na caricatura (sem ser alarve, claro), uma espécie de auto-citação e auto-referências ao estilo. Como o Arnaldo fez em "Last Action Hero", ou mesmo o Stallone em "Demolition Man". Mas não. É um filme de porrada normalíssimo. E, dentro deste estilo, é competente e tal. Mas, como agora está muito em voga dizer: os meus gostos mudaram decerto. lol Tivesse sido como eu esperava e gostaria, provavelmente estaria aqui a dizer outras coisas. Assim sendo...mais um filme do Stallone, felizmente muito superior ao absurdo e apalermado "Rambo 4".
Um dos momentos mais cómicos do filme, não intencional, é quando um inchado Mickey Rourke saúda um ainda mais inchado Stallone com um quase imperceptível, com tanto botox à mistura, "You're looking good man!" Sinal dos tempos.
Uma pequena nota à parte, que nada tem que ver com o filme: não reparei quem traduziu o filme, mas em tantos e tantos anos de filmes, nunca vi uma tradução tão má, tão horrivelmente feita, tão constrangedora, como a que fizeram neste filme. Deviam ter vergonha, sinceramente. Eu sei que perceber o inglês falado através de bocas colocadas em caras inchadas como a de Rourke ou carras derretidas e paralisadas como a de Stallone, é difícil...mas que diabos, li ali coisas, traduções de bradar aos céus!!
quarta-feira, setembro 15, 2010
Expendables
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