A sério que gostava de poder dizer muito bem deste filme. Aparentemente havia toda uma série de coisas a seu favor e que achei apelativas. O cartaz, as imagética, até o trailer (que só vi depois, mas que facilmente concluí que, a tê-lo visto antes, continuaria a ter interesse em vê-lo), enfim, toda uma série de coisas que pareciam indicar um bom filme, o tal primeiro filme português rodado em Hollywood, e "à amaricana". Hèlas, não é esse o caso.
O filme tenta de facto capturar a estrutura do filme americano, com um argumento, à partida interessante, com várias linhas narrativas e personagens que se cruzam, numa espécie de desenvolvimento em mosaico, ou em puzzle. O problema é que falha redondamente. A ideia que dá é que, sim senhor, a premissa base é gira e com potencial, mas depois falta estaleca, fôlego, para a levar a bom porto, para finalizar naquele mosaico certinho que se pretende mostrar.
A verdade é que o filme abusa do esoterismo e das coincidências forçadas, apresenta personagens pouco ou nada desenvolvidas e, sinceramente, parece-me que é um filme por demais convencido de que é um grande filme. E sim, tem os ingredientes todos para a populaça gostar, para dizerem que é um filme majestoso, que fala das grandes questões da vida, que é reconfortante , inspirador, whatever. A mim pareceu-me que os senhores que o fizeram estiveram sempre conscientes deste efeito e quiseram-no.
Porém, no meio de tantas "lições de vida", "exemplos paradigmáticos", "morais da história" metidas a martelo (pneumático),, no fim...não há nada. Não tem sumo, não tem alma. A boa ideia ficou pelo caminho, perdida e algo inalcançável. Falha, quanto a mim, em apresentar de forma realmente interessante essas grandes questões da vida, o desespero de alguns, as opções erradas de outros. Falha porque acaba por tentar resolver todas as linhas narrativas de forma muito limpinha e certinha, deixando pouco ou nenhum espaço para a imaginação. Sim, o filme vai-se adivinhando, e a partir de certa altura a piada é ver para confirmar se temos ou não razão. O final é, de facto, inesperado, mas, infelizmente, destoa tanto do resto do filme que acaba por funcionar pessimamente, e ficamos sem perceber para que diabos o filme foi feito.
A única coisa que realmente se pode elogiar neste filme é o tratamento das imagens, a cinematografia, a luz. As imagens e cenários são realmente bonitas e um regalo para os olhos. De tal forma que me deu a ideia que certos cenários naturais foram usado apenas porque "pareciam bem", porque "ficavam bem visualmente", pois, em bom rigor, são indiferentes para a história. De facto são planos aéreos e enquadramentos muito bonitos, mas, para isso, mais valia terem feito um documentário sobre as paisagens americanas. Muito pouco conteúdo para tenta forma. O António Feio que me desculpe. Next.
segunda-feira, setembro 13, 2010
Contraluz
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