quinta-feira, setembro 30, 2010

Barbeiradas

Ir ao barbeiro é tarefa que me aborrece de morte. Infelizmente, diga-se, porque saio de lá sempre mais leve e fresco, um homem novo. Nada como deixar a trunfa lãzuda para trás de facto. Mas toda a rotina de, primeiro concluir que é necessário ir lá (nãããããooo!!!), depois ir e ter de esperar (se bem que agora já é tudo com marcação prévia, vivó luxo!), e depois ter de colocar o couro cabeludo nas mãos de outrem....sei lá, tudo isso me aborrece. Mas é por uma boa causa. O ideal, ideal mesmo, seria passar logo para o final, sem ter de passar por tudo isto. É mais um caso em que a viagem é mais chata do que o chegar ao destino. Mas hèlas, tal não é possível. Gostava sinceramente de poder cortar o cabelo em casa. Seria o mais próximo daquele ideal a que eu conseguiria chegar. Mas infelizmente, experiências horrendas e atrozes do passado, causadoras de grandes tumultos e levantamentos populares, levaram-me a optar por não ser eu a executar tal tarefa. E, nunca conheci ninguém que o pudesse fazer satisfatoriamente, nem sempre por culpa dessas pessoas, mas muito por culpa da minha irregular cabeçorra. Mas já lá vamos.
Mudei de barbeiro recentemente. Durante anos utilizei os serviços dum casal de barbeiros que, por sua vez, compraram o negócio ao anterior barbeiro, que também foi o meu durante anos. Um tipo sisudo, mal encarado, pouco simpático e pouco falador, mas eficaz e competente q.b.
O casal que tomou conta do negócio não podia ser mais o oposto. Barulhentos, faladores até mais não, quezilentos e birrentos um com o outro, apreciadores de música pimba a um volume por mim já considerado doloroso, enfim... O estilo "popularucho" no mau sentido. Burgesso, pronto. "Gostava" especialmente do senhor que toda a santa vez que lá punha os pés me sugeria madeixas, franjas, cabelo espetado, patilhas fininhas à "Figo", cabelos à "malga", gel aqui, gel ali, etc, etc. Sempre encontrou o meu "não" frontal. Mas, irritantemente, perguntava sempre. Até ao dia em que tive de responder "ouça, já lhe disse que quero o cabelo curto todo por igual e sem mariquices de qualquer espécie". Já para não falar da menção recorrente "ah, tem aqui uma marca no couro cabeludo". "Sim, sim", dizia eu, sempre, "já lhe disse que é de nascença e aparece quando corto o cabelo no pescoço, certo?". Argh! A exasperação! De todas as vezes que saía de lá jurava que seria a última vez. Mas não. Para chegar a isso foi preciso entrar, um belo dia, no estabelecimento e ver o dito casal mais uns quantos presumíveis familiares (os lá da chanta terrinha), nas traseiras a cortaram chouriço e pão e queijo e a agarrarem no belo garrafão de tintol enquanto me diziam, por meio de sinalefas e bocas cheias, para esperar que já me atendiam....inaudito. Foi a chamada gota de água.
Mudei para outro. Mais fashion, mais caro e acessível apenas por marcação. Sugeriu-me um corte diferente. Quando lhe disse que costumava cortar todo com máquina arregalou os olhos e disse "Amigo, não se meta nisso! A sua cabeça e cabelo não dão para isso!". E cortar em casa? "Ainda menos! Isso não dá para essas aventuras, não se meta nisso, não se meta nisso!"
Bom, acedi, e estou satisfeito. Tenho um corte de cabelo que, pelos vistos, já não me faz parecer um foragido de Treblinka e não tenho de aturar as palhaçadas daquele em circo que, em boa hora, resolvi não entrar mais. E fiquei a saber que tenho uma caixa craneana irregular, cheia de mossas e um tapete capilar difícil de domar e caprichoso. Siga pr'a bingo portanto!
Mas seja como for, e onde for, há sempre a mesma problemática. Excepto o sisudão que me cortava o cabelo quando era mais petiz, a verdade é que todos, mas todos, gostam de falar pelos cotovelos e comentar o que quer que seja. Ah, e falar também. Se no caso anterior a situação era grave, ao ponto de me dar vontade de espetar a máquina (ligada à electricidade, claro) pela boca de um, e encher a boca da outra com o máximo de toalhas, neste novo estabelecimento a coisa melhorou. Mas ainda assim fala-se. E aqui reside o busílis da questão. Há quem caia no sono quando se senta em frente a uma TV. Quem adormeça, qual drogado, assim que entra num carro. Eu apenas me dá um sono terrível enquanto me cortam o cabelo. O que, convenhamos, dificulta a manutenção de uma conversa. Se a vontade já não é muita, que eu não sou uma "picareta falante", nem nada que se pareça, experimentem quando começam a ser atacados pela sonolência extrema. E é pior quando ligam a "máquina-zero" ou lá como se chama aquilo. O bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz contínuo é dos melhores soporíferos. Podia bem ser o zumbido de um enxame de moscas tzé-tzé, acabadas de chegar de África e com extrema e urgente necessidade de picar algum incauto. Mas esforço-me, lá isso sim. Pelo que, desta vez tentei ser coerente numa discussão sobre os "sacanas da MEO que marcam serviços e depois não aparecem, porque está mal, porque um gajo trabalha e não pode estar disponível, porque eles é que se deviam sujeitar, etc e tal!" A vida é difícil para todos, portanto.
Qual a relevância disto tudo? Nenhuma. Mas apeteceu-me. Só para ver.
.

3 comentários:

Menina da Rádio disse...

e eu a pensar que, nas barbearias, as coisas se deviam passar de modo muito diferente do que acontece nas cabeleireiras!!!

p.s. a letra vermelha dificulta muito a leitura e eu tenho miopia e exoforia!

Bola Oito disse...

LOL talvez tenha tido más experiências. Seja como for, do pouco que conheço, é diferente. Fala-se muito, mas é sempre cumbersa de gaijo. lol

De facto, vermelho é mauzito sim....

Menina da Rádio disse...

:)